Sociologia comparativa
Olá Juremir!
Finalmente tomei algum tempo para escrever-lhe. Em primeiro lugar, gostaria de dizer que sou grande admiradora do seu trabalho e fã da sua inteligência aliada ao seu refinado humor. O Correio do Povo é meu habitual companheiro, principalmente a tua coluna, que além de divertir-me, me faz pensar. Pois bem, "Sociologia comparativa", texto publicado na edição de sábado, 26 de junho, fez algo incrível com meu cérebro: o fundiu em comparações e medos. Ao comparar três nações totalmente diferenciadas, como França, Brasil e Itália, notamos que os brasileiros são os que menos se importam com o quadro da política nacional. Em época de Copa do Mundo, todos os brasileiros se unem sob a mesma bandeira, mas logo depois nas eleições, algo que realmente define o futuro e a reputação do país, simplesmente esquecemos que somos brasileiros. É muito mais fácil criticarmos Carlos Caetano, popular Dunga, do que cobrarmos aos nossos políticos seus reais deveres. Claro, como cidadã brasileira adoro uma boa partida da nossa seleção, porém na maioria das vezes o futebol não une o Brasil e sim o separa. A nossa política é uma piada, e isso tornou-se fato há muito tempo. Talvez eu use de um pouco de infantilidade ao dizer que decepcionei-me com a política quando escolhi fazer faculdade de jornalismo e ainda mais quando para exercer a profissão, não é mais necessário diploma. Isso fez com que eu me sentisse rebaixada! Fomos comparados à cozinheiros e a baderneiros. Não que cozinheiros não sejam importantes e afinal, baderneiros também são, pois dão emprego a muita gente. Onde o Brasil irá parar, quando aqueles que têm como dever demonstrar a verdade são oprimidos e tachados de mentirosos? Que créditos temos? Ao meu ver, de nada adiantará ganharmos uma Copa do Mundo pela sexta vez, se nunca podemos contar seis vezes que o Brasil teve algum político condenado pelas suas infrações.