Cada época tem a sua disciplina e o seu credo.
O século XIX teve a História e a Ciência.
Cabia descobrir as leis científicas da História.
Disso resultou um efeito perverso, o historicismo.
O mundo, segundo os marxistas, que pretendiam ser donos da verdade por se declarar científicos, caminhava inexoravelmente para a sua emancipação por força da dialética das suas contradições.
Nos anos 1960, uma disciplina do século XIX virou moda: a sociologia.
Era a disciplina dos que pretendiam enfrentar a psicologia comportamentalista conservadora.
Em paralelo, outra disciplina do século XIX, a antropologia, buscando mostrar o relativismo dos valores e das culturas.
Papo cabeça.
Pois é, a sociologia é uma explicação do mundo pelas estruturas, pela sociedade, pelos sistemas.
A sociologia está fora de moda.
Voltou a psicologia.
Faz sentido.
A psicologia é a disciplina por excelência das sociedades individualistas.
O sociologismo tira toda a responsabilidade das coisas das costas dos indivíduos, que se tornam marionetes da sociedade.
O psicologismo tira toda a responsabilidade das coisas das costas da sociedade, que se torna o produto das ações individuais.
Para o psicologismo todo fracasso é individual.
Sou formado em História.
Cursei mestrado em Antropologia.
Sou doutor em Sociologia.
Sei que o psicologismo é fenômeno histórico típico de determinadas culturas e que precisa ser estudado sociologicamente.
O psicologismo cai bem ao gosto do neoliberalismo.
A complexidade, pregada por Edgar Morin, consiste em ver o indivíduo na sociedade e a sociedade no indivíduo.
O indíviduo tem uma autonomia relativa.
Quando o psicologismo diz, "ele não faz nada para mudar", a sociologia pergunta: "O que ele pode fazer?"
É o temas dos livros de Michel Houellebecq "Extensão do domínio da luta" e "Partículas elementares".
A sociedade do espetáculo e do consumo estimula os indivíduos a desejar o que não podem alcançar.
Desejam o que a indústria do desejo deseja que eles desejem.
Iphone ou smartphone?
A não realização desses desejos gera frustração
E a doença da nossa época, a depressão.
É o tema do livro de Gilles Lipovestky, "A sociedade da decepção".
O psicologismo é característico das sociedades da literatura de autoajuda.
Nelas, Harry Potter prepara os futuros leitores de Paulo Coelho.
Cada obra deve ter uma mensagem positiva.
O cientificismo do século XIX ainda permeia o marxismo anacrônico e o astrologismo intemporal.
A Nova Era é um velho tempo.
Com licença que quero ter ciência do que está escrito na minha mão.