Ninguém definiu melhor o Brasil do que o Tavares, aquele personagem do Chico Anysio sempre de copo na mão.
O bordão dele é o nosso: "Sou, mas quem não é?"
Há quem diga que nunca se roubou tanto no Brasil quanto nesta era do PT no governo federal.
Quem diz isso?
A oposição, a direita, os adversários mais encarniçados do PT.
O mensalão está aí para provar que não se fala por falar.
Mas quem são eles, quem são esses seres morais que se chocam com a roubalheira?
Os integrantes do DEM.
Quem é o DEM?
O PFL, o PPB, o PDS, a ARENA, a UDN.
O DEM de José Roberto Arruda e do senador Demóstenes Torres.
Demóstenes Torres foi capa da Veja como paladino da ética.
Demóstenes da geladeira dada por Carlinhos Cachoeira.
Demóstenes dos R$ 3 mil pedidos a Cachoeira para pagar um táxi aéreo.
Sou, mas quem não é?
O DEM denunciando roubalheira é a cafetina pudica.
Ainda bem que somos um país versátil e generoso.
Temos piedade do Adriano, o imperador da preguiça, malandro rematado que vai tirar uma baba do Corinthians por ter sido demitido por justa causa. Logo ele que tanto se esforçou para cumprir o seu contrato dignamente.
Ou alguém acha que Adriana é vagal, um cara de pau, um cretino e algo mais do gênero?
É só um bom menino maltratado pela vida, traumatizado pela infância pobre e necessitado de cerveja e sexo.
Cerveja e sexo em doses cavalares. Melhor, doses muares.
Que ele gosta de um muar em suas festas.
Ou só convida asnos?
Sou, mas quem não é?
O ministro Ayres Britto, do STF, é poeta.
Pariu este verso: "As matas virgens são as matas que procriam".
Foi a sua decisão mais justa e clara.
O Brasil é uma mata virgem que procria.
Procriou Demóstenes Torres.
Sou, mas quem não é?
Aqui, adubando, tudo dá.
E o que mais se faz é adubar.