Juremir Machado da Silva

Surpresas para Amadi

Surpresas para Amadi

Tem vezes que é preciso ser fundamentalista.

Com certas pessoas não tem jeito.

É preciso ser radical. Ou elas não entendem.

Parece que vivem na Idade Média.

Se bem que adoram uma tecnologia bombástica.

Enfim, com certas pessoas a lei é mesmo a do olho por olho, dente por dente, bomba por bomba, cuspe no olho.

É o que pensa, por exemplo, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad dos presidentes dos Estados Unidos, inclusive do

Obama.

Se dependesse de mim, Ahmadinejad seria recebido no Brasil de uma maneira que ele jamais esqueceria.

E azar de quem não está contente com a vinda dele ao Brasil. Tem pior.

Tem o Sarney que não sai daqui. Nem ao Amapá ele vai mais.

Eu receberia o Amadi em Copacabana. Ou em Ipanema.

No Posto 9. Com a bandeira arco-íris tremulando.

Não, não, essa seria a segunda parada, o golpe fatal, a punhalada no coração, a pá de cal. A primeira, por uma

questão de protocolo, seria em Copacabana mesmo.

A vida é assim. Exige atitude e pegada.

Quando ele saísse do carro, uma chuva de biquínis e de calcinhas coloridas cairia em cima dele.

A ideia não é nova. Mas as calcinhas seriam.

Em seguida, ao som de um ritmo sofisticado, no melhor estilo tô ficando atoladinha, uma gata maneira deixaria cair

a burca exibindo curvas, despenhadeiros e toda a perdição da mulher e da cultura brasileiras.

Ao fundo, uma turma de bebedores de cerveja batucando freneticamente gritaria sem parar:

Amadi, Amadi, Amadi!Deu pra ti, deu pra ti!

Sei que Amadi não é afegão. É iraniano, claro.

Mas depois da quarta cerveja o Oriente Médio fica mais próximo, todos os gatos são pardos e deixa de existir pecado
ao sul e ao norte de tudo. Aí é só avisar:

Tem gringo no samba!

Pagode não é samba?

Iraniano não é gringo?

Com o sol na cabeça, dá tudo no mesmo. Tenho certeza de que ele veria o mundo de outro modo e até confessaria:

Nunca na história do Irã se viu algo assim...

Sei que isso pode não ser politicamente correto.

Mas Ahmadinejad também não é politicamente correto.

Não está nem aí para direitos humanos.

Dizem que esses fundamentalistas não têm medo de coisa alguma. Duvido! Todo mundo tem o seu ponto fraco.

O problema desse pessoal é sexo mesmo.

Então é preciso submetê-los a uma teoria de choque.

Luiz Inácio já vai desencaminhar o cara um pouco: duvido que ele saia do Brasil sem beber uma caipirinha.

Afinal, em Roma, como dizia um comedor de tripas a um vegetariano, faça como os romanos.

Se nada der certo, se o sujeito resistir a tudo, aí só tem uma saída: manda o carw passar uma semana em Salvador.