Juremir Machado da Silva

Tempos de estelionato e de rock aguado

O navio está à deriva. A vaca foi pro brejo. O governo petista de Dilma Rousseff planejou, durante a campanha eleitoral, meter a mão em conquistas trabalhistas, mas teve o cuidado de não anunciá-las. Vencida a eleição, veio com tudo. Joaquim Levy, como ministro da Fazenda, representa tudo o que vem fracassando nas políticas de austeridade da Europa, coisa que os Estados Unidos trataram de passar ao largo para recuperar a economia. Os gregos, ontem, venceram os que compartilham as opiniões de Levy e que afundaram a Grécia.

Só em Davos Levy tem plateia.

Os tucanos estão detonando a política de Levy que teriam implantado se tivessem sido eleitos.

Parabéns pela coerência.

Enquanto isso, no Brasil, recebemos a visita do Shakhtar Donetsk. Os ucranianos perderam para o poderoso Bahia, foram massacrados pelo Atlético-MG, empataram com o desmilinguido Flamengo e com o desmontado Cruzeiro. Ganharam só do Internacional, que, antes, tinha um volante ruim. Evoluiu para dois.

Por fim, andou por aqui uma banda chamada Foo Fighters da qual eu nunca tinha ouvido falar. Fui escutar. Achei bonzinho no começo. Segui em frente: bandinha melosa e barulhenta. Rock desse tipo é tão atual quando a revolução russa. Falta originalidade, pegada, atitude e inovação. É puro discurso de autoridade. Veio do Nirvana, etc. Rock, hoje, é coisa de terceira idade e de jovem apaixonado por remake ou fulminado por envelhecimento precoce. Não digo isso para insultar ou desprezar. É só uma constatação. Muito palha essa bandinha.

Ouvi umas vinte músicas, aquelas consideradas mais importantes.

Melhor ouvir os monstros sagrados.

Mas, claro, respeito muito a diversidade de gostos.

Fu o quê? Nunca mais ouvirei falar. Foi só uma bandinha comercial que passou pelo Brasil.

Roqueiros precisam arranjar novo visual. Esse vestuário de vampirinho de novela das sete não assusta mais ninguém. Velho roqueiro de rabo de cavalo chegar a dar dó. Nas festas, os netos fogem deles.

Precisamos de uma nova rebeldia.

Todo homem, consumidor de qualquer coisa, está autorizado a analisar e criticar o que consome.

O resto é discurso de autoridade.

O gosto e a inteligência autorizam qualquer um a omitir opinião sobre o que observam e analisam.

Fora disso só a estupidez e a arrogância perseveram.

Ou seja, a idiotice.