Todo dia alguém generaliza dizendo assim: toda generalização é burra.
Logicamente essa afirmação deve incluir a si mesma.
Logo, tentando combater a generalização e a burrice com outra generalização, a pessoa que ataca com essa espada pretensamente afiada incorre em burrice.
A ideia de que toda generalização é burra é cientificamente absurda.
A ciência só existe com base em generalizações.
O princípio da ciência é a generalização.
De observações sistemáticas devem resultar generalizações.
Em condições normais de temperatura e pressão tal fenômeno deve se repetir.
É o princípio da recorrência.
Burras são as generalizações impertinentes.
Nem todas as generalizações são impertinentes.
Logo nem todas as generalizações são burras.
Nelson Rodrigues cunhou uma frase que tem unanimidade: toda unanimidade é burra. Logo a aceitação unânime dessa máxima é uma burrice.
Sabe-se, por experiência, que há unanimidades inteligentes.
A frase "toda generalização é burra" é uma burrice que só pode fazer sentido se for escrita assim: "toda generalização improcedente é burra".
Ou seja, toda generalização burra é burra.
As demais precisam passar pelo teste da pertinência.
Dizer que toda generalização é burra é um atalho argumentativo que pode tornar o caminho de uma discussão mais longo.
Uma burrice.
Carinhosa e logicamente falando.