Juremir Machado da Silva

Tropeiro sem bombacha

Tropeiro sem bombacha

Olá Juremir!
Sou leitor assíduo da tua coluna no Correio do Povo.
Há tempos que pretendia fazer algum contato, mas sempre ia deixando para depois.
Embora eu seja uns dez anos mais velho que você, há uma identidade muito grande
entre nossas experiências e fatos de infâncias.
Eu me criei no interior de São Borja. Iniciei o ginásio no Colégio Agrícola de São Luiz
Gonzaga e depois fui para Alegrete (Colégio de internato em Passo Novo, onde tive
muitos colegas de Livramento).
Dou boas gargalhadas quando você fala das coisas "campeiras". Muitas vezes até
parece que você está falando de mim. Tamanha a identidade e até o modo de ver
as coisas.
Nessa crônica de hoje (sexta) as coincidências foram grandes: Eu também cresci
sem usar bombachas pelas mesmas razões que você. Só que no meu caso o mérito
foi do meu pai. Ele sempre quis que nós estudássemos. Também fui tropeiro sem
bombachas. Na minha primeira tropeada, perdi os estrivos (gaúcho não usa estribos).
Na segunda, perdi o chapéu. Depois dessas, meu pai optou por levar outro filho nas
tropeadas. No nosso caso, era apenas a transferência de gado próprio entre as
propriedades dos meus avós - uns 30 Km entre elas.
Atualmente, moro em Santa Maria. Numa oportunidade quando for eu a Porto Alegre e
que dispuzer de algum tempo, gostaria, se possível de te encontrar, desde que te
seja possível.
Abraços,
Luiz Lemos.