Terça-feira, a partir das 18 horas, no Correio do Povo (Caldas Jr., 219), vou autografar dois livros: "Adiós, baby", uma novela policial (Sulina) e "Um escritor no fim do mundo - viagem com Michel Houellebecq" (Record).São dois livros malditos.
Pensei neles olhando para as águas do rio Uruguai, no Parque Estadual do Turvo, no Salto do Yucumã.
Estive lá aproveitando minha visita a Três Passos, onde fui patrono da Feira do Livro do Colégio Ipiranga.
Linda feira, a Fretreli.
Um escritor é um turbilhão de águas.
Nada pode afogá-lo.
Nem a sua mediocridade.
Ser escritor é acreditar numa forma.
Uma espiral.
O que isso significa?
Não tem a menor ideia.
Mas tenho certeza.
Um escritor no fim do mundo é o mundo do um escritor na espiral da fantasia
Essa torrente da conversa sobre a vida.Essa vida que escapa, desencanta e volta a encantar.
Esse desejo de compreender o incompreensível.
Essa vontade de ser mais claro do que a clareza possível.
Essa possibilidade de dizer de novo o que nunca foi dito.
Esse dito que parece indizível a cada vez que é repetido.
Esse desejo irrefreável de arte, de ilusão, de encontro.
Esse calor diante do gelo.
Esse gelo diante do calor que emana aos poucos dos outros.
Essa troca feita de longos silêncios, de pequenos gestos, de goles de vinho e de imagens inesquecíveis.
Adiós, Baby traz essa estranheza diante do inominável, essa fragilidade do homem que tenta saber.Essa falta de jeito diante do cotidiano.
René Manhãs, um detetive em fim de carreira, tentando se descobrir.
Nesse cotidiano com tantos cacos e atitudes inesperadas.
Essas atitudes que mudam para sempre o destino de um homem.
Esses homens que buscam, de qualquer forma, um sentido para o desejo e um desejo para os sentidos.
Esses dois livros repetem como um mantra a pergunta que se insinua como o frio na madrugada:
Por que escrever?
Que é também: o que é a vida?
Uma investigação.
Uma perdição?
Uma maldição?
Esse desejo de reinventar a vida como quem pinta um quadro ao nascer do dia.
Uma caminhada no gelo com o peito ardendo de invenções?
Como saber?