Um estranho esquecimento: o caso Engevix
Meu colega Felipe Vieira é um bom advogado.
Argumenta com argúcia e malícia.
Eu disse malícia, não maldade.
Volta a dizer que estou tendo um comportamento ideológico.
Parece sugerir que tenho partido. Mas qual?
Será que Felipe tem partido? É tucano? É yedista? Acho que não. Não sei. Não creio.
Pergunto por causa desta sua observação: Fico no aguardo dessas respostas. Para que o debate não seja apenas ideológico, seja técnico". É expressão consagrada de uma ideologia de direita muito invocada pelos tucanos e pelos yedistas como Aod. As suas opiniões seriam técnicas. As dos outros, ideológicas.
É um velho costume da direita chamar de ideológico tudo que lhe parece vir da esquerda.
Só a direita não seria ideológica, mas sim racional e portadora da verdade neutra, imparcial e objetiva.
A ideia de que não existem mais esquerda e direita, por exemplo, é uma velha ideia de direita.
Digo isso como tese geral, pois Felipe, como ele garante, não é de direita nem de esquerda.
Ouve os dois lados nos seus programas. Ou os vários lados.
Que boa coincidência. Eu faço o mesmo. Mas os resultados são diferentes.
Nada de anormal: a hermenêutica (ciência da interpretação) já ensinou que tudo depende do ponto de vista.
Umberto Eco mostrou que muitas interpretações são possíveis.
Mas não todas.
A verdade é escorregadia.
Liquidez no fluxo de caixa nem sempre quer dizer superávit.
Corte de investimentos sociais pode gerar uma enganosa saúde estatal às custas da saúde social.
Felipe contesta ponto por ponto meus contra-argumentos.
Darei algumas respostas: não vejo problema algum no envio de projeto do governador Tarso Genro para que a Assembleia Legislativa vote uma lei que permita ao Banrisul dar garantias ao BNDES para a reforma do Beira-Rio.
Pagaremos, insisto, gremistas e colorados, a conta de qualquer maneira, pois se a Andrade Gutierrez levar, será financiada em 80% a juros camaradas pelo BNDES, ou seja, nós. Será o atravessador.
Os outros pontos que buscam provar a crise financeira do Inter são rebarbativos.
Provam o provado. A questão é outra.
Felipe responde a cada um dos meus contra-argumentos.
Menos um. Justamente o mais inquietante. O caso Engevix.
Engevix é a empresa que se ofereceu para reformar o Beira-Rio por um custo infinitamente menor.
E que, segunda fonte altamente fidedigna das entranhas coloradas, o Inter não só recusou como lhe pediu uma carta garantindo não demostrar interesse pela obra. Uau! Uau!
Leiam a proposta da Engevix no blog do Hiltor (hiltor.correiodopovo.com.br).
É informa pura. Nitroglicerina.
Imagino o quilate das negativas, o enfado das enrolacões, a enormidade das explicações.
Felipe jura não me olhar de cima na base do "eu sei, tu não sabes", embora me sugira investigar e me informar. Uma frase sua. em tom de humor, parece dizer o oposto: "Por fim, peço que não desdenhe da indicação que fiz do teu nome para Academia Brasileira de Letras, muito antes de qq outra indicação feita por ti. Téns uma obra consistente e merecedora de tal reconhecimento. Ao Aod caberia melhor o Nobel de Economia. "Cada um no seu quadrado".
Ou seja, não vem falar do que tu não entendes.
Não quero concorrer com o Aod Cunha por prêmio literário algum.
Como ficcionista ele é melhor do que eu.
Felipe quer o Nobel da economia para o Aod. Mas o Nobel da Economia só é atribuído para façanhas da área econômica cientificamente comprovadas. O resto é ficção. Em geral, má. Ou ficção científica.