Juremir Machado da Silva

Um presidente que orgulha a nação

Elegante, cavalheiro e admirado

Orgulho da nação

 

      O presidente é um homem elegante, culto e educado. A nação tem imenso orgulho dele. Uma senhora resume: “É um cavalheiro”. Outra, mais jovem, embala-se: “Um gentleman”. Tudo o que ele faz chama a atenção pela sofisticação e sobriedade. Sem ser pedante. Parece que vive para a liturgia do cargo sem se mostrar enfatuado ou cheio de si. Socorre a nado meninas no mar. Dá entrevistas polidas de calção na praia. Tira selfies com todo mundo. Em tempos de pandemia, ministra aula pela televisão para crianças em confinamento. Anda pelas ruas sem medo. Da sua boca jamais se ouve uma grosseria, um destempero, uma agressão. Numa pesquisa, teve singelos 89% de aprovação popular.

      Há políticos complexos. Getúlio Vargas, cujo suicídio completou ontem 66 anos, foi tudo: deputado conservador, ministro da República Velha, presidente da província no pós-reinado de Borges de Medeiros, revolucionário, presidente provisório, presidente eleito por voto indireto, ditador, presidente eleito pelo voto popular, populista, popular, enigmático, criador da legislação trabalhista que até hoje incomoda os donos do poder econômico, nacionalista, acusado de flertar com o nazi-fascismo, aliado dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, homem da campanha gaúcha e maior estadista da história brasileira. Mudou o Brasil com uma revolução de poucos tiros cuja data não se comemora. Suicidou-se por senso de honra. Um homem de época.

      O presidente do qual eu falava no primeiro parágrafo deste texto tem sua complexidade singular. Não será um Getúlio. Os tempos são outros. Mas, se continuar sendo o que é, deixará saudades. Num dia, ele dialoga com a oposição. No outro, ajuda o país a manter boas políticas contra a covid-19. Não fala mal da ciência, não receita remédios polêmicos, busca unir o seu país diante da adversidade. Em certo sentido, esse presidente é quase inverossímil. Faz a coisa certa na hora certa. Quantos podem se orgulhar de tamanha eficácia discreta? Depois da grande crise, o seu país recuperou o rumo na economia. O homem olha no olho dos cidadãos sem constrangimento nem falsidade. Salvo algum grave segredo, trata-se de um honesto professor. A sua relação com a imprensa tem sido amistosa, correta e respeitosa.

      Enfim, um grande presidente. Portugal tem o que comemorar. Marcelo Rebelo de Souza está no poder desde 2016 e não faz feio. Certo, Portugal tem um regime parlamentarista. Há um primeiro-ministro para carregar o fardo dos problemas cotidianos. O presidente português, no entanto, não é decorativo. Parei e pensei: um presidente que faz a grande maioria da população sentir orgulho. Que inveja!  Senti realmente vontade de me mudar para Portugal. Logo eu que só penso em voltar para a minha saudosa Palomas, junto ao Uruguai, onde escreverei poesia e andarei pelos campos nas manhãs de setembro. Estou fascinado com o presidente de Portugal, correndo o risco de ser ingênuo e de não perceber seus defeitos.