Uma crônica de Woody Allen
Woody Allen está de volta.
Fomos ver seu filme "Você vai encontrar o homem da sua vida".
Mais um filme de Woody Allen com a fórmula Woody Allen.
Muito bom.
Sem novidade alguma.
Woody Allen é assim: bom por ser sempre igual.
Faz tempo que me convenci de uma coisa: Woody Allen não faz filmes.
Faz crônicas filmadas.
Explora os clichês com uma dose de humor.
Gostei muito de uma cena no filme envolvendo um escritor fracassado.
O sujeito está no quarto romance.
O editor liga para recusar o original.
Rejeita o romance com muitos elogios à obra do cara.
Dois amigos do escritor sofrem um acidente.
O escritor fracassado apropria-se do original de um dos acidentados.
Envia-o para o editor, que se deslumbra.
Recebe o escritor e diz algo assim:
"Agora você conseguiu. Antes parecia que estava forçando apenas para abrigar suas ideias intelectuais".
É o que chamo de crítica retrospectiva sob a forma de elogio com prazo de validade: o próximo livro.
Acontece no lançamento:
– Este sim, tenho certeza de que vai ser bom.
Woody Allen já é um mito.
Não precisa fazer muito para estar acima de média.
Nem para ser endeusado.
Pode fazer algumas cenas de novela das oito.
A crítica dirá: que intertextualidade!
Que tratamento cruel das relações humanas!
Que acidez!
É só mais uma boa croniqueta com algumas piadas bem colocadas.
Faz rir.
E ocupar o sábado à noite com dignidade.
Longe das passiones do sofá da sala.