Juremir Machado da Silva

Verissimo, Dourado e eu

Verissimo, Dourado e eu

Ah, como tenho me divertido ultimamente. Despertei a ira dos adoradores do Big Brother Brasil ao dizer que se trata de um programa para os dotados de encéfalos esponjosos. Peguei pesado. Feri a sensibilidade das esponjas. Esponjas têm encéfalos? Esponjosos? Sei lá. Eu tenho. Venho recebendo elogios ditirâmbicos e chicotadas homéricas. Como é bom ser fustigado em praça pública à luz do dia. Sou masoquista. Fico feliz em ver minhas costas sagrando e ardendo. Arranco o chicote das mãos dos meus algozes e, em êxtase, completo o serviço. Sou o meu pior crítico.
Afinal, ninguém me conhece tanto como eu.
O estranho é que alguns adoradores do BBB se revelaram também adoradores de Luis Fernando Veríssimo. Depois que o PT se uniu ao Sarney, tudo é possível. Uma leitora aproveitou para enviar e-mail a mim, aos meus colegas e aos responsáveis por este jornal denunciando a minha mediocridade. Fez muito bem. Disse que sou invejoso, recalcado e imitador do Veríssimo. Ela tem absoluta razão nas duas primeiras acusações. Sou invejoso e recalcado. Amo meus recalques. Não vivo sem eles. São meus animais de estimação. Trato-os carinhosamente. Mas não imito Veríssimo. Tenho meus princípios. Sou fiel a eles. Só imito aqueles que considero melhores do que eu.
Expliquei outro dia que na minha biografia, que terá cerca de quatro mil páginas, haverá uma nota de rodapé dedicada a Luis Fernando Veríssimo. Ele entrará para a história da literatura como o humorista que teve uma briga comigo. Há gaúchos tão bairristas que continuam acreditando na genialidade permanente do Veríssimo. Ignoram que o único gênio total no jornalismo gaúcho sou eu. Se não falo disso o tempo inteiro, como deveria, é por modéstia. Sou o único megalômano modesto do planeta. Um bom megalômano deve ser o primeiro em tudo. Especialmente em modéstia. Fui criticado por não ter falado mal de A Fazenda, o Big Brother rural da Rede Record. Dou a mão à palmatória. Errei. Corrijo o meu erro e emito a minha opinião definitiva e necessária para o debate. A Fazenda é um Sítio do Pica-Pau Amarelo em termos de baixaria e de bundas brasileiras balançando se comparada com o BBB.
Está dito. Coloco no meu blog (www.correiodopovo.com.br) os e-mails que me enviam os leitores. A polêmica em torno do BBB está fervendo. A mensagem da leitora que me acusa de imitar ridiculamente o Veríssimo está lá. Pena que ela não me autorizou a divulgar o seu endereço eletrônico. Perderá a ocasião de receber comentários sobre a perspicaz avaliação que fez de mim. Pode, mesmo assim, conferir no blog o que dizem outros interessados no assunto. Ou seja, em mim. Não me levem a mal os que se divertiram vendo a Baboseira Brasileira (do) Bial. Só não me venham com conversa fiada sobre valores. Uma leitora diz que eu invejo o Pedro Bial. Eu invejo é o Pedro Miau. Que gato! Diz também que o Dourado respeita o homossexualismo, mas não aceita. Tem lógica. É uma forma de respeito hipermoderna equivalente ao fuma, mas não traga. Não suporto mais o Veríssimo imitando o Woody Allen e a mim. Exijo providências.