Verissimo, Maria João e eu
Foi o destino.
Ou Luciano Alabarse?
Ou uma armação dos dois?
Não sei.
Sei que fomos ver o show da cantora Maria João no Bourbon Country.
Cláudia e eu ocupamos dois belos lugares na segunda fila, bem no meio.
Ao nosso lado, dois outros belos lugares.
Foi aí que meu inimigo mais famoso apontou na entrada da fila.
Todo mundo se levantou para ele passar.
Eu também.
Não queria que ele me pisasse nos pés.
Já bastavam as pisadas de 15 anos atrás.
Sim, faz 15 anos que briguei com Verissimo e perdi um emprego por causa disso.
Depois dessa briga, encontrei Verissimo várias vezes em eventos culturais.
Diga-se em favor dele que gosta da boa cultura.
Nunca encontrei Paulo Santana, Falcão e outros em algum evento cultural.
Encontrei Verissimo em trés situações especiais: dentro de um elevador, em Belém do Pará, atravessando a pontezinha da Ipiranga, entre a Zero Hora e o Colégio Protásio Alves, e ontem, no show da Maria João.
Na travessia da ponte, parecia um duelo.
Ele avançava de um lado, eu vinha do outro.
Eu imaginava o momento em que sacaríamos nosso revólveres.
Passamos roçando barriga com barriga. Ninguém disparou. Nem correu.
Ontem, Verissimo passou de costa.
Deixou uma cadeira entre nós dois, onde sentou depois a mulher dele.
Era dois casais tranquilos: Cláudia, eu, Lúcia e ele.
Civilizadamente.
Maria João e sua pianista rebentaram.
No começo, achei que era apenas uma portuguesa careteira onomatopaica.
Aos poucos, ele cresceu e mais parecia uma entidade africana, um caboclo, uma mulher percussão, emitindo todos os sonhos, do bumbo à cuíca, gemendo, cantando, delirando, do grave ao agudo, do sussurro ao uivo, da poesia ao místico.
Sensacional.
Ao final, Verissimo e esposa sairam pela direita.
Cláudia e eu, pela esquerda.
Foi o destino.
Ou terá sido o Luciano?