Juremir Machado da Silva

Yeda e o antipetismo

Yeda e o antipetismo

Os gaúchos gostam de imaginar que são mais politizados do que o resto do Brasil. São apenas, quem sabe, mais partidarizados. O deputado Onyx Lorenzoni, que mais parece um pitbull, acertou uma: o antipetismo gaúcho está jogando para baixo do tapete graves escândalos do governo Yeda. É possível que o deputado só diga isso por interesse. Afinal, é do partido do vice, Paulo Feijó, que seria beneficiado com a saída da governadora. Mas não deixa de ser verdade. Há quem defenda o governo somente para (ou por) ser contra o PSOL e o PT. Tudo não passaria de armações da esquerda. Outros (ou os mesmos) tentam justificar um erro com outros. O mensalão absolveria o Detran e as compras com dinheiro público para o quarto dos netos de Yeda. A verdade é mais simples: lá e cá, em Brasília e Porto Alegre, houve derrapagem. Precisa CPI da Petrobras, da Corrupção, do MST, de tudo. Quem é contra num lugar e a favor no outro, age ideologicamente. O radicalismo ideológico dos defensores da governadora, por ódio ao petismo, pretende, valha o bom e velho lugar comum, tapar o sol com a peneira, assim com o radicalismo ideológico dos petistas tenta encobrir o já descoberto nas "maracutaias" federais. Aqui e lá, a imoralidade é a mesma. Nada justifica mobilizar uma casa particular com dinheiro público. Era só morar no palácio e tudo estaria resolvido. O piso emborrachado certamente era para evitar deslizes. Mas a derrapagem já aconteceu. Será mesmo que alguém acredita que o arquivo do impeachment pela base aliada da governadora representa uma absolvição? Lá e cá, os políticos amigos dos seus amigos não trabalham pela verdade, mas para abafar investigações incômodas. Aos jornalistas independentes só cabe uma coisa: tratar a todos da mesma maneira. Com o mesmo rigor. No Rio Grande do Sul, durante muito tempo, a mídia só bateu no petismo. Hoje, a vidraça é outra. Como se diz, é o ônus de ser governo e de pisar em casca de banana.