A fartura no elenco do River faz com que dois jogadores que disputaram a última Copa do Mundo não sejam titulares no time de Gallardo. O volante Enzo Pérez, que disputou três dos quatro jogos da Argentina na Rússia, perdeu a posição para o jovem Palacios. O meia Juan Quintero, titular nas quatro partidas da Colômbia no Mundial, também não tem vaga no habitual 11 millonario.
Marcelo Gallardo não é um treinador com hábito de definir um esquema de jogo e manter. Ele costuma montar sua equipe de acordo com os adversários, variando sistemas. Em 2018, o treinador tem fixado uma linha de quatro defensores - com Montiel, Maidana, Pinola e Casco - e alterado as formações do meio para frente.
O capitão Ponzio é o volante que joga fixo na frente da zaga com Palacios e Nacho Fernández tendo maior liberdade. Quando procura tornar o time mais defensivo, Gallardo usa Enzo Pérez ou Bruno Zuculini para formar um "doble 5" para abrir o meio com Ponzio.
Na parte ofensiva, as variações de posicionamento são constantes. Pity Martínez é o único titular absoluto e atua habitualmente aberto pela esquerda. Lucas Pratto, a contratação mais cara da história do clube (15 milhões de dólares junto ao São Paulo no começo do ano), também tem atuado na maioria dos jogos da temporada. Centroavante, Pratto já exerceu outras funções na equipe. No Superclássico com o Boca na Bombonera, por exemplo, ele iniciou aberto pela direita no esquema 4-2-3-1. Com a lesão de Pity Martínez ainda no primeiro tempo e a entrada de Quintero, passou a atuar aberto pelo lado esquerdo.
Mesmo com alta qualidade de técnica, o colombiano Juan Quintero - talvez o mais talentoso do elenco - não é titular do River por questões táticas. Gallardo já falou abertamente sobre as deficiências sem a bola do camisa 8, que acaba ficando atrás de Nacho Fernández na preferência do treinador. Quintero é usado aberto pelo lado direito ou por dentro, normalmente quando o River atua com o losango no meio-campo e ele funciona como um "enganche" atrás dos dois atacantes.
No ataque, o River conta com outros três jogadores que se revezam na equipe, Scocco, Santos Borré e Rodrigo Mora. Nos últimos jogos da Libertadores, Borré ganhou a preferência de Gallardo e foi titular na partida de volta das oitavas de final contra o Racing e nos dois jogos de quartas diante do Independiente. Scocco foi titular contra o Rojo nesta terça-feira, mas vinha de reserva nos compromissos de Libertadores e também no Superclássico com o Boca - quando marcou o segundo gol da vitória millonaria poucos minutos após sua entrada no segundo tempo. Rodrigo Mora tem sido a última opção no ataque e atuado nos jogos da Superliga Argentina.
Como o River costuma jogar
O River Plate alterna momentos de pressão no campo ofensivo com recuo para ganhar campo para as jogadas de transição. A equipe de Marcelo Gallardo não é adepta a um jogo de muitas trocas de passe. O time sempre procura definir rápido suas jogadas. As movimentações constantes dos homens de frente são marcas do time.
Um ponto fraco do time a ser explorado pelo Grêmio é o lado esquerdo da defesa. Milton Casco é um lateral de bom apoio, mas que tem problemas de marcação. Os dois zagueiros do River, Maidana e Pinola, são fortes no jogo aéreo e físico, mas deixam a desejar em velocidade, como ficou exposto no lance do gol do Independiente nessa terça. No entanto, pela boa organização defensiva da equipe, são raros os momentos em que os dois ficam em inferioridade numérica diante dos atacantes rivais. Um desafio de Renato Portaluppi será fazer com que esses momentos aconteçam.
River na Libertadores : 10 jogos, com cinco vitórias e cinco empates.
Última derrota: 24 de fevereiro para o Vélez, na Superliga Argentina 2017/18 (não perdeu na atual temporada argentina)
As formações usadas por Marcelo Gallardo nos jogos de mata-mata da Libertadores:




