Como chegam os argentinos para a Libertadores da América
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Como chegam os argentinos para a Libertadores da América

River ganhou a Libertadores 2018 em final argentina

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A fase de grupos da Libertadores da América de 2019 se inicia nesta semana. O Blog La Pelota traz um resumo de como chegam os clubes argentinos para a maior competição do continente nesta temporada.

Diferente do que ocorreu no ano passado, quando a Argentina chegou com um quarteto forte de postulantes ao título – Boca, River, Independiente e Racing -, neste ano Boca Juniors e River Plate são os únicos times do país vizinho que podem ser colocados no grupo de favoritos a levantar a taça no final do ano no Chile.

Por ser adversário do Grêmio na estreia, o Rosario Central vai ganhar um post separado nesta terça-feira. Abaixo, as situações dos outros cinco argentinos.

 

River Plate

Atual campeão da América, o River Plate chega mais uma vez com força para a Libertadores. A equipe perdeu dois importantes titulares – o zagueiro Maidana e o meia-atacante Pity Martínez -, mas o técnico Marcelo Gallardo novamente vai mostrando sua capacidade de remontar o time. Nesses cinco anos sob o comando de “El Muñeco”, o River se remontou diversas vezes superando perdas de jogadores importantes e a capacidade do treinador para fazer isso parece inesgotável.

Além das saídas de Pity Martínez e Maidana, Gallardo teve de lidar nas últimas semanas com as lesões de seus laterais titulares, Gonzalo Montiel e Milton Casco, e do meio-campista Exequiel Palacios. Pois o treinador encontrou em um esquema com linha de três zagueiros e dois meio-campistas como alas, os uruguaios Camilo Mayada e De La Cruz, uma forma eficiente de montar o time. O River voltou a jogar bem e chega para a estreia na Libertadores embalado por uma vitória segura sobre o Newell’s Old Boys por 4 a 2 no último sábado.

Como Casco não jogará mais neste semestre, o River acertou no final de semana a contratação do lateral-esquerdo Fabricio Angileri, que estava no Godoy Cruz. As outras contratações da janela foram o zagueiro paraguaio Robert Rojas e o meia-atacante Matías Suárez. Os dois últimos já entraram na equipe e conseguiram dar boas respostas mostrando que, além de time, o River também segue com o elenco forte.

O principal destaque do River é o colombiano Juan Quintero, que herdou a camisa 10 de Pity Martínez e assumiu o protagonismo do time de Marcelo Gallardo neste começo de 2019. O zagueiro Pinola e o goleiro Franco Armani seguem como base da defesa enquanto nomes como Lucas Pratto, Enzo Pérez e Santos Borré mantiveram o bom nível da reta final de 2018. O River Plate inicia a Libertadores novamente com muita força e favorito para o primeiro lugar no Grupo A, que tem ainda Inter, Alianza Lima e Palestino.

 

Boca Juniors

Conquistar o campeonato nacional e chegar na final da Libertadores mesmo que perdendo o título parece uma boa temporada para qualquer clube sul-americano, não é mesmo? Não quando a derrota na decisão ocorre para o maior rival. Dessa forma, o Boca Juniors iniciou 2019 tendo que lidar com o peso da derrota em Madri para o River Plate, algo que o elenco vai carregar ao longo de todo este ano.

O técnico Guillermo Schelotto deixou o Boca no final de 2018 e o clube contratou para o seu lugar Gustavo Alfaro, de capacidade reconhecida em times de menor porte, mas que ainda precisa provar seu valor em um dos grandes da Argentina. O próprio treinador, de 56 anos, reconheceu em sua apresentação que treinar o Xeneize é o maior desafio de sua carreira. E assim que ele tem encarado este começo de trabalho na Bombonera.

O Boca passou por várias mudanças em seu elenco. Titulares importantes do meio-campo, Wilmar Barrios e Pablo Pérez deixaram o clube, assim como o colombiano Cardona, os laterais Jara, Buffarini e Olaza, o zagueiro Magallán e o contestado goleiro Agustín Rossi. O Xeneize investiu pesado em reforços e trouxe os volantes Ivan Marcone e Campuzano, o zagueiro Lisandro López e o goleiro Marcos Díaz. Somente em Marcone, o Boca gastou 8 milhões de dólares, a contratação mais cara do futebol argentino em 2019.

Com Alfaro, o Boca Juniors deixou o 4-3-3/4-1-4-1 dos tempos de Guillermo Schelotto e passou a jogar em um 4-2-3-1. O treinador apostou em uma forte rotação do elenco neste começo de ano, mas dois dos reforços conseguiram se firmar rapidamente como titulares absolutos da equipe, Lisandro López e Ivan Marcone. Com forte capacidade de ocupar espaços e dar qualidade na saída de bola, Marcone se firmou como o jogador mais importante do meio-campo xeneize e assumiu um protagonismo que o setor não tinha desde a lesão grave de joelho sofrida por Fernando Gago no final de 2017. A expectativa na Argentina é de que Marcone seja convocado para defender a seleção nos amistosos de março. 

No ataque, Benedetto segue como o centroavante titular tendo em Zárate, Tevez, Pavón e Villa como opções de companheiros no setor. Para a estreia diante do Jorge Wilstermann nesta terça-feira, a tendência é de que Tevez seja o homem mais próximo de Benedetto na frente.

O Boca ainda não teve grandes atuações em 2019, mas tem obtido bons resultados. Nas últimas quatro rodadas da Superliga Argentina, o Xeneixe venceu três partidas – incluindo a que quebrou a invencibilidade do Defensa y Justicia na semana passada. Com 17 pontos conquistados em 24 disputados, Gustavo Alfaro tem em números o melhor início na casamata xeneize desde a segunda passagem de Carlos Bianchi, em 2003.

 

San Lorenzo em crise

Além de Boca Juniors e River Plate, o San Lorenzo é outro grande argentino que disputa a Libertadores 2019. O momento do Ciclón, no entanto, faz com que nem o mais fanático torcedor “cuervo” possa acreditar em uma conquista do bi da América neste ano.

O San Lorenzo já vinha desde a primeira parte da Superliga Argentina fazendo uma campanha ruim, o que determinou a queda de Claudio Biaggio nas últimas semanas de 2018. O contratado para assumir a equipe para neste ano foi Jorge Almiron, o técnico vice-campeão da América com o Lanús há duas temporadas.

Era esperado que Almiron tivesse dificuldade no começo do trabalho pelo seu estilo de jogo, que implica a necessidade de bastante treinamento. A demora para encontrar bom rendimento, porém, está além do que se imaginava e o San Lorenzo chega à Libertadores ainda sem ter vencido sob o comando do treinador.

O San Lorenzo acumula seis partidas pela Superliga em 2019, com quatro empates e duas derrotas. Na última sexta-feira, o Ciclón perdeu para o Argentinos Jrs. e caiu para a lanterna da competição. O clube só não corre risco de rebaixamento em razão do sistema de média que leva em conta os últimos três torneios para determinar o descenso.

O elenco do San Lorenzo conta com jogadores experientes e ainda de qualidade, como Fernando Belluschi, Ruben Botta, Nicolás Blandi e Gonzalo Castellani. Veterano, Fabricio Coloccini é titular na defesa. É possível que Almiron ainda acerte essa equipe, mas não poderá demorar muito porque um grupo que tem ainda Palmeiras e Junior Barranquilla não vai dar margem para erros. O Ciclón tem a seu favor o fato de estrear diante do frágil Melgar, uma boa oportunidade para acabar com o já incômodo jejum de vitórias no ano.

 

Huracán e Godoy Cruz buscam recuperar bons rendimentos de 2018

Assim como o San Lorenzo, Huracán e Godoy Cruz também passam por dificuldades neste começo de 2019. As duas equipes conseguiram apenas uma vitória cada neste ano e iniciam a Libertadores tendo aspirações bem modestas.

O Huracán perdeu o técnico Gustavo Alfaro para o Boca Juniors e apostou em Antonio “El Turco” Mohamed como substituto. O técnico, com histórico no clube, fez poucas mudanças em relação ao seu antecessor, mas ainda não conseguiu encaixar uma sequência de bons jogos.

Mohamed estreou com um empate no clássico com o San Lorenzo e em seguida venceu o Rosario Central. A impressão era de que a equipe iria manter o embalo de 2018, mas depois o nível das atuações caiu. O Huracán chega para a estreia na Libertadores com uma sequência de cinco jogos sem vitória – três derrotas e dois empates. Os resultados ruins fizeram a equipe sair da zona de classificação para a Libertadores de 2020. O Globo agora é o sétimo colocado na Superliga, a quatro pontos do quinto - vaga para a pré-Libertadores -, o River Plate.

O Huracán conta com bons nomes em seu elenco, principalmente no meio-campo, casos de Andrés Roas, Israel Damonte e Carlos Auzqui. No ataque, a equipe tem o experiente Lucas Barrios como uma esperança de gols.

Surpresa ao conquistar o vice-campeonato argentino na temporada passada, o Godoy Cruz sofreu com a perda de peças na nova temporada. A equipe não conseguiu encaixar boas atuações na atual edição da Superliga Argentina, onde ocupa o 14º lugar e está distante até da briga por vaga na Sul-Americana de 2020.

Os maus resultados fizeram o Tomba trocar o comando técnico. Na última semana, o clube anunciou a volta de Lucas Bernardi ao clube. Em um grupo de Libertadores sem nenhum grande favorito – Olimpia, Sporting Cristal e Universidad Concepción são os outros integrantes da chave -, o Godoy Cruz pode brigar por uma vaga nas oitavas, mas não deve ir muito além disso.

O principal destaque do elenco do Godoy Cruz é o centroavante "Morro" Garcia, artilheiro da Superliga na temporada 2017/2018. Outro jogador que merece atenção é o meio-campista Ángel González, que despertou interesse de alguns clubes grandes do país no começo do ano. González é um meia de boa visão de jogo e bastante qualidade técnica.

 

Quando jogam os argentinos

 

Terça-feira

Grupo C: Godoy Cruz x Olimpia, às 19h15

Grupo F: Melgar x San Lorenzo, às 19h15

Grupo G: Jorge Wilstermann x Boca Juniors, às 21h30

 

Quarta-feira

Grupo A: Alianza Lima x River Plate, às 21h30

Grupo H: Rosario Central x Grêmio, às 21h30

 

Quinta-feira

Grupo B: Huracán x Cruzeiro, 19h