Rosario Central em crise e com dúvidas para estreia na Libertadores
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Rosario Central em crise e com dúvidas para estreia na Libertadores

Paulo Ferrari faz seu primeiro trabalho como treinador

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Adversário do Grêmio nesta quarta-feira, às 21h30min, o Rosario Central chega para disputar a Libertadores vivendo um momento de crise dentro e fora do campo. A equipe, que ganhou a Copa Argentina em 2018, ainda não venceu nenhuma partida em 2019. A última vitória dos “Canallas” ocorreu em 27 de novembro, 1 a 0 sobre o San Martín de San Juan pela Superliga Argentina.

Além da vaga na Libertadores, a Copa Argentina de 2018 valeu para o Rosario Central a quebra de em jejum de 23 anos sem título. Mesmo com tamanha façanha, a paciência da diretoria com o técnico Edgardo Bauza durou apenas seis rodadas da Superliga em 2019. Após três empates e três derrotas neste ano, o treinador foi demitido há duas semanas.

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A demissão de Bauza iniciou uma crise ainda maior no Gigante de Arroyito. Dias depois de sua queda, o treinador disparou contra a diretoria em entrevista para a Radio 2 de Rosario. “Os dirigentes do Central não sabem nada de futebol”, disse Bauza ao comentar a sua saída e deixando claro sua insatisfação com o presidente do clube, Rodolfo Di Pollina, e o vice-presidente, Martín Lucero.

“São jovens e falta experiência a eles. O que está acontecendo será bom para eles aprenderem. Foi muito doloroso o que aconteceu contra o Sol de Mayo”, disse Bauza já citando a eliminação na Copa Argentina na estreia de seu sucessor, o ex-lateral Paulo Ferrari.

Mais que o técnico que quebrou o jejum de 23 anos do Rosario Central sem títulos, Edgardo Bauza foi um jogador vencedor no clube, tendo como zagueiro canalla conquistado dois Campeonatos Argentinos. Suas declarações caíram como uma bomba no clube. Vice-presidente criticado por Bauza, Martín Lucero renunciou ao cargo.

 

Técnico em seu primeiro trabalho

Substituto de Bauza, Paulo Ferrari iniciou no Rosario Central o seu primeiro trabalho como treinador. Ferrari, que vinha exercendo um cargo de diretor na base do clube teve logo na estreia a decepção com a eliminação na Copa Argentina para o Sol de Mayo, time da terceira divisão. No sábado, o Central fez o segundo jogo sob o comando de Ferrari no empate por 0 a 0 com o Belgrano.

A equipe de Rosario chega para enfrentar o Grêmio cheia de dúvidas. Diante do Sol de Mayo, Ferrari seguiu o planejamento traçado por Bauza e escalou os reservas. Apenas contra o Belgrano ele montou um time que pode ser considerado titular com algumas novidades. O jovem zagueiro Facundo Almada, de 20 anos, fez sua estreia como profissional enquanto o veterano Herrera, que vinha sendo reserva com Bauza, foi titular no ataque. Os dois, no entanto, não estarão em campo contra o Grêmio. Almada não está inscrito na Libertadores e Herrera tem de cumprir uma suspensão da Conmebol.

O pouco tempo de trabalho Paulo Ferrari abre uma série de dúvidas na escalação do Rosario Central para enfrentar o Grêmio. Além da suspensão de Herrera, o Central também não terá o zagueiro Matías Caruzzo e o lateral-esquerdo Parot, ambos lesionados. Ferrari falou em sua última entrevista antes da partida que a questão física será determinante para definir a escalação. Quem apresentar desgaste excessivo deverá ficar fora do jogo contra o Grêmio.

 

Como vem jogando

Com Edgardo Bauza, o Rosario Central vinha variando o esquema entre o 4-4-2 - usado na temporada passada - e o 4-1-4-1 com um tripé de volantes no meio-campo. Ferrari montou a equipe dessa segunda forma - com o trio Rinaudo, Leonardo Gil e Ortigoza - diante do Belgrano dando indício de que pode repetir a formação diante do Grêmio. Se isso ocorrer, Riaño deve atuar sozinho no comando do ataque. No 4-4-2, Riaño terá a companhia de Zampedri ou Lovera. Zampedri é um centroavante de imposição física enquanto Lovera é um jogador de velocidade e drible.

O baixo rendimento do Rosario Central se mostra nos números do setor ofensivo. Os Canallas marcaram apenas quatro gols em oito partidas em 2019. Muito disso ocorre pelos problemas da equipe na criação das jogadas. O Central sofre para construir situações de gol e é o principal problema que precisa resolver Ferrari para o time retomar o caminho das vitórias.

Por conta disso, nos lado do campo estão as maiores dúvidas do Rosario Central. Ferrari já sacou Allione da equipe na partida contra o Belgrano com a entrada de Jonas Aguirre no setor esquerdo do meio-campo. Quem pode perder a vaga diante do Grêmio é Camacho, canhoto que atua aberto pela direita. A volta de Allione é uma alternativa. Outras opções são os colombianos Vergara e Barrera.

 

Defesa

A defesa do Rosario Central tem a segurança do bom goleiro Jeremías Ledesma, que tem mantido as boas atuações apesar dos resultados ruins da equipe neste ano. Com Caruzzo e Parot machucados, o time argentino terá certamente metade da defesa formada por reservas. Os dois titulares em condições de ir a campo são o lateral-direito Bettini e o zagueiro Barbieri. Cabezas é o mais cotado para jogar na zaga enquanto Nahuel Molina deve ocupar a lateral esquerda.

 

Saídas e chegadas

O Rosario Central perdeu dois titulares da campanha do título da Copa Argentina para 2019. O capitão e principal ídolo da torcida Marco Ruben deixou os Canallas para jogar no Atlético-PR enquanto o meio-campista Federico Carrizo foi para o Cerro Porteño, do Paraguai.

O clube concentrou suas principais contratações nos setores de meio-campo e ataque. Claudio Riaño – ex-Boca Juniors e Independiente – chegou como reposição a Marco Ruben e com a missão de vestir a camisa 9. O meio-campo ganhou os reforços de Jarlan Barrera – destaque do Junior Barranquilla na campanha do vice da Sul-Americana -, Agustin Allione, Jonás Aguirre, Duván Vergara e Fabián Rinaudo.

 

A casa

O Gigante de Arroyito é um daqueles estádios com a cara da Libertadores. Com as arquibancadas próximas ao campo, o clima é de caldeirão nos jogos do Rosario Central como mandante. A torcida costuma comparecer em grande número até em jogos de menor importância e, claro, lotará o Arroyito diante do Grêmio.

Esse clima do Gigante de Arroyito é um fator que torna o Central, mesmo quando não tem grandes times, um adversário difícil de ser batido como mandante. O Grêmio mesmo provou desse veneno em 2016, quando sofreu uma derrota de 3 a 0 e acabou eliminado pelos Canallas nas oitavas de final da Libertadores.

 

Rosario Central em 2019

Jogos: 8

Gols marcados: 4

Gols sofridos: 9

Autores dos gols: Herrera, Allione e Riaño (2)

 

Como foram os gols marcados:

Rebote após finalização de cabeça em cruzamento: 1

Chute de fora da área: 1

Bola parada: 1

Jogada trabalhada dentro da área: 1

 

Origem dos gols sofridos:

Jogadas trabalhadas pelo setor direito da defesa: 2

Jogadas trabalhadas pelo setor esquerdo da defesa: 1

Chute de fora da área: 1

Cruzamentos: 3

Contra-ataque: 1

Bola parada (Cabeceio após falta): 1