River é tetra da Libertadores em final de decisões erradas de Schelotto
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River é tetra da Libertadores em final de decisões erradas de Schelotto

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O River Plate é tetra campeão da América. O River venceu o Boca Juniors por 3 a 1, de virada, nesse domingo no Santiago Bernabéu, em Madri, e conquistou a Libertadores de 2018 – quarta de sua história, a segunda sob o comando de Marcelo Gallardo. Benedetto abriu o placar no primeiro tempo e Pratto igualou no segundo. Na prorrogação, Juan Quintero e Pity Martínez deram a vitória aos Millonarios.

 

Campeão da Libertadores, o River Plate vai representar a América do Sul no Mundial de Clubes da Fifa, que se inicia já nesta quarta-feira, nos Emirados Árabes Unidos. A estreia do time de Gallardo será na próxima semana. Em razão disso, a delegação nem voltará para a Argentina para comemorar a conquista da América com seus torcedores. 

 

O grande nome da superfinal da Libertadores foi Juan Quintero, o autor do gol que podemos considerar o do título do River – já que o terceiro, de Pity Martínez, foi no último lance do jogo com o gol xeneize aberto porque Andrada estava no ataque tentando o cabeceio em um escanteio. A partida ter sido decidida por um jogador que saiu do banco escancara ainda mais os erros do técnico xeneize Guillermo Schelotto.

Antes do jogo, uma vantagem que era notável do Boca estava nas opções de banco. Com Scocco lesionado e Borré suspenso, Gallardo mandou a campo praticamente os 11 possíveis para a final. No banco, Quintero era a única alternativa no mesmo nível dos titulares para entrar no decorrer da partida. No outro lado, Schelotto contava com nomes como Gago, Zárate e Tevez, além de Ábila, seu artilheiro na Libertadores. As opções xeneizes eram tão fartas que o colombiano Cardona – autor do gol da vitória no clássico com o Independiente pelo Argentino na semana passada – sequer foi relacionado. Mesmo assim, o que se viu foi uma série de decisões erradas de Schelotto e um Boca que se perdeu após um bom primeiro tempo.

 

O primeiro tempo da superfinal foi como se esperava, tenso, brigado e com pouco espaço. O Boca abriu mão de ter a posse de bola, jogou marcando em seu campo e teve sucesso. O goleiro Andrada praticamente não trabalhou nos primeiros 45 minutos. Pablo Pérez teve duas grandes chances antes de Benedetto aparecer. O centroavante recebeu passe de Nández, deu um lindo drible em Maidana e bateu na saída de Armani para abrir o placar no Bernabéu aos 44 minutos.

 

O Boca foi em vantagem para o vestiário, mas voltou para o segundo tempo apenas para segurá-la. Desde os primeiros minutos, o xeneize adotou uma postura de matar tempo e tentar manter o placar sem sequer apresentar alternativas para o contra-ataque. O River se tornou mais ofensivo e vertical com a entrada de Quintero no lugar do capitão Ponzio. Foi então que veio a primeira escolha questionável de Schelotto. Aos 17, o técnico sacou Benedetto e mandou a campo Ábila. A troca buscava apenas um ganho físico com um jogador descansado no ataque, mas fazia o Boca perder o poder de decisão de seu principal nome na reta final da Libertadores.

 

O River seguiu pressionando um Boca que apenas se defendia. A pressão millonaria teve efeito, aos 23, quando após uma bela troca de passes, Nacho Fernández tocou para Pratto, que só teve o trabalho de mandar para o fundo das redes e empatar a partida.

 

O placar em 1 a 1 obrigava o Boca a mudar sua postura. Se esperava que Schelotto fosse usar pelo menos uma de suas peças ofensivas do banco, Tevez ou Zárate. Não foi o o que ocorreu, a segunda troca xeneize veio apenas aos 44 e foi mais uma vez pela questão física. Cansado, Pablo Pérez saiu para a entrada de Fernando Gago. No River, Gallardo seguiu apostando na ofensividade pelo lado direito e o meia uruguaio Mayada entrou no lugar do lateral Montiel, forçando ainda mais o setor que tinha Pavón muito mais na obrigação de ajudar Olaza na marcação que em condições de atacar e oferecer perigo a Armani.

 

Schelotto errou em suas trocas durante a final - Foto: Javier Soriano / AFP


Na prorrogação, a falta de ousadia do Boca foi castigada. Logo aos 2 minutos do tempo extra, Barrios entrou em uma dividida forte com Palacios e foi expulso pelo segundo amarelo. A partir daí, o jogo se tornou ainda mais de ataque contra defesa. A perda de Barrios obrigou Schelotto a fazer sua terceira troca com a entrada de Jara para recompor o meio. A postura xeneize foi de tentar levar a partida para os pênaltis diante de um River que pressionava.

 

A pressão do River seguiu ao longo de todo o primeiro tempo da prorrogação, mas o gol veio só aos 4 do segundo. Após cruzamento mal cortado por Andrada, a bola sobrou para Juan Quintero, que abriu o passe em Mayada. O colombiano apareceu na entrada da área para receber e acertar um lindo chute para virar o placar. Só após o 2 a 1 que Schelotto mandou Tevez a campo em uma troca sem tempo para dar resultado – a prorrogação permitiu aos técnicos fazer quatro alterações.

 

O Boca ainda teve mais um problema nos minutos finais. Fernando Gago sofreu uma lesão grave, rompeu o tendão de Aquiles, e teve de deixar a partida. Com nove em campo, o Xeneize ainda acertou uma bola na trave com Jara nos acréscimos. Na sequência, o River cortou o escanteio e Pity Martínez correu livre para só empurrar a bola para o gol vazio e comemorar o título.

 

Se em outros Superclássicos se exaltou muito as estratégias de Marcelo Gallardo, dessa vez – sem tirar os méritos de “Muñeco -, o seu trabalho foi facilitado pelos erros de Schelotto. Talvez até o técnico do River tenha se surpreendido com a falta de ousadia nas trocas de seu rival, principalmente no tempo normal do jogo. A derrota, que acaba com o sonho da sétima Libertadores, deve levar a mudanças profundos no Boca. Com contrato encerrando no final do ano, Schelotto irá sair. Sem nada a ver com isso, o River vai aos Emirados Árabes tentar conquistar o segundo Mundial de Clubes de sua história para ter mais um motivo para comemorar com seus torcedores no retorno a Buenos Aires.