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"A melhor notícia em muitos anos"



Por Luiz Gonzaga Lopes

A notícia da volta do Caderno de Sábado deixou muitas pessoas empolgadas. Um destes entusiastas foi o jornalista, escritor, crítico teatral e professor universitário Antonio Hohlfeldt. Numa troca de e-mails para avisá-lo e solicitar uma entrevista sobre a volta do suplemento, Hohfeldt respondeu: "esta é a melhor notícia que leio em muitos e muitos anos!!!". Foi o colaborador mais constante do Caderno de Sábado, com inúmeros artigos, entrevistas e críticas, como as críticas a "O 35º Ano de Inês", de Tânia Faillace (23/10/1971); ou dos livros "Memórias do Coronel Falcão", de Aureliano Figueiredo Pinto e "Depois do Último Trem", de Josué Guimarães (30/3/1974) ou ainda sobre "Idolatria", de Sergio Faraco (3/6/1972),  ou ainda a análise "A Crônica no Rio Grande do Sul", de 11 de novembro de 1972 e uma série especial sobre o dramaturgo romeno Eugène Ionesco.  Aliás, sobre este especial com o romeno, Hohlfeldt tem uma história curiosa:

"Em algum momento, Eugene Ionesco veio a Porto Alegre porque um grupo de teatro francês iria apresentar uma peça sua, via Aliance Française. Organizei pessoalmente uma edição especial do Caderno, e à noite, no espetáculo, no Theatro São Pedro, ele foi entregue ao dramaturgo, que se emocionou. Ainda tenha o exemplar autografado por ele", confidencia o jornalista e ex-vice-governador do Estado.

Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre em 2007, autor de 13 livros infantis e infantojuvenis e 15 obras de ensaios, fora as publicações que organizou, Hohlfeldt foi um dos pilares constantes do Caderno de Sábado como Paulo Fontoura Gastal, Oswaldo Goidanich (até 1974) e Ney Gastal. Confira agora a entrevista de Hohlfeldt na íntegra sobre a volta do Caderno de Sábado.

 

1 - Qual era o perfil do Caderno de Sábado no tempo em que o senhor lá trabalhou como repórter e editor e quais as principais reportagens ou séries que o senhor lembra de ter realizado?


Antonio Hohlfeldt - O perfil era, basicamente, o acompanhamento da produção cultural, especialmente literária do RGS e o acompanhamento de todo o movimento literário brasileiro. Neste sentido, era fundamental a relaçao que se havia estabelecido com os escritores  braisleiros, via congressos, a que eu comparecia, ou correspondência, não esquecendo que a gente não tinha xerox, nem internet. Era na base dos correios, mesmo, porque nem telefone ajudava muito.


2 – Como poderíamos definir a importância do Caderno de Sábado para a produção do pensamento e difusão de autores e ideias nos anos 60 e 70?


Hohfeldt - Acho que o melhore estudo é uma dissertação de mestrado (de Everton Terres Cardoso) orientada pela Prof. Dra. Cida Golin, na Fabico, em que se considera o Caderno como uma espécie de grande enciclopédia da cultura brasileira.


3 - Grandes autores, praticamente uma geração inteira foi contemplada com entrevistas, publicação de originais, traduções, matérias especiais e séries. Fale-nos do impulso do caderno a essa literatura que emergia nos final dos anos 60 e nos anos 70.


Hohfeldt - Acho que houve coincidências: o boom do conto de Minas, o movimento catarinense (sendo que os jovens estudavam aqui e tinham apoio e divulgação por aqui, mais a editora Movimento, do Appel (Carlos Jorge), que por seu lado era catarinense e apoiava os sul rio grandenses e os catarinas.


4 – O que se pode comemorar com a volta do suplemento?


Hohlfeldt - Sobretudo, um novo espaço para a divulgação e a discussão da cultura sul-rio-grandense, em especial a literária.


5 – Outras considerações sobre o Caderno de Sábado.


Hohlfeldt - O Caderno marcou época, e não digo isso por ter participado de sua história, como um co-editor. Mas ainda hoje ele é motivo de pesquisas, e ainda hoje a gente pesquisa suas páginas para encontrar textos de referência que, fora o jornal, continuam inéditos. Vou ficar numa torcida muito grande para ele não ser igual - é outro tempo - mas cumprir com uma função ao menos próxima da importância do que foi o antigo CS. Digo próxima, porque também agente tem de levar em conta que a internet mudou bastante esta relação, e vai ser importante que o CS não registre só aquilo que sai em papel, mas tenha uma editoria muito atenta às edições em ebook, sem o quê estaremos traindo o proprio espírito de vanguarda do que foi o CS.