Lady Di, Capitão Phillips & a família Blake
Por Tiaraju Brockstedt
Quem assistiu ao filme "A Rainha", que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Helen Mirren, pode conferir a grande paixão que o povo inglês tinha pela Princesa Diana. É só esta paixão, mesmo, que torna válidos um romance e um filme
baseados nos últimos dias de vida de Lady Di, uma princesa moderna cuja pompa e circunstância foram tão rápidas que mal deu tempo para se analisar em qual patamar ela poderia ser colocada, ou se isso seria realmente necessário. Lançado em português pela Prata Editora, "Diana, O Úlitmo Amor da Princesa" ganhou edição no Brasil com ares de grande sucesso de vendas lá fora. Chegou como um livro polêmico, que gerou uma adaptação para o cinema mais criticada ainda. Kate Snell, a autora, diretora e produtora inglesa, investe mais uma vez na pretensa conspiração (possivelmente real ou por conta do MI5) que teria tirado a vida de Diana e Dodi Al-Fayed, em Paris. Mas o ponto principal da história é o romance mal ajambrado entre Diana e um cardiologista paquistanês chamado Hasnat Khan. O namoro entre os dois, se realmente aconteceu, foi cercado por vários dos ingredientes que já tinham aparecido na trajetória da princesa de Gales. Ela manipulava muito bem a imprensa e teria usado Dodi para fazer ciúmes em Khan, que nunca confirmou qualquer relacionamento com ela. Diversas pessoas mais chegadas à Diana teriam confirmado a relação, mas Khan continua mudo como um peixe ao contrário dos críticos de cinema que querem a pele de Naomi Watts depois da estreia da fita inspirada na obra de Snell. Watts aceitou viver Diana no cinema sonhando com o grande papel da sua vida. "Diana", dirigido por Oliver Hirschbiegel, gerou muita ansiedade nos fãs da ex-mulher do Príncipe Charles, mas terminou provocando apenas mais controvérsias. Não adiantou a atriz ficar "parecida" com Diana (que teria lhe "enviado" uma benção mediúnica, uau! para encarnar o personagem) pois a recepção da crítica à fita não poderia ser considerada mais fria do que foi. Enfim, Watts, o diretor, o autor e os leitores continuam todos a espera de um grande personagem.
O melhor do livro "Malavita" ( Record), do italiano Tonino Benacquista, só está no filme. Trata-se de Michelle Pfeiffer que está simplesmente ótima como a mulher do personagem Fred Blake (interpretado por Robert de Niro), que assim como o marido e os filhos, não leva nenhum desaforo para casa, O romance de Tonino não é uma novidade ao focar a trajetória da Máfia de uma forma extremamente divertida mas é a incapacidade dos Blake (na verdade, o pai chama-se Giovanni Manzoni) de viver de uma forma mais discreta é que torna a trama hilariante. Manzoni, chefe de uma família mafiosa de Nova Jersey, entrega toda os colegas para o FBI e, sob a proteção do programa de Proteção à Testemunha, foge com a família para viver numa pequena cidade francesa. Logo, logo, eles começam a chamar a atenção de muita gente e a vingança rapidamente atravessa o Atlântico em direção à cidade. Os Blake vão ter que se virar sozinhos contra os antigos "familiares".
Dizem que Tom Hanks pode ganhar um Oscar em 2014 por sua interpretação em "Capitão Phillips", thriller baseado em uma história real, a partir do livro "Dever de Capitão", escrito pelo verdadeiro Phillips e já nas livrarias editado pela Intrínseca. A bordo do navio cargueiro "Maersk Alabama", o capitão vive uma história de contornos heroicos, ao enfrentar com toda a coragem junto com sua tripulação um ataque de uma lancha com homens armados com metralhadoras nas águas profundas ao norte da costa da Somália. A lancha persegue o navio em plena luz do dia. Graças a uma ação rápida da tripulação, o cargueiro consegue, inicialmente, despistar os bandidos mas logo um violento ataque não pode mais ser impedido. O capitão Phillips de verdade chegou a ser cumprimentado pelo presidente Obama por conta de sua atuação muito elogiada no caso. Já Tom Hanks não deve chegar a tanto. Para ele já serve mais uma estatueta dourada para guardar na estante de seu escritório em casa.
