Livros A+

Os livros que ganham a semana

"A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida".

Cesare Pavese - escritor italiano

 

Por Luiz Gonzaga Lopes
Esta segunda semana de março consagrará uma realidade que se torna constante em Porto Alegre, a de lançamentos de livros quase todo o santo dia. Os apaixonados pela boa literatura vão poder, à maneira de Cesare Pavese, se defender contra as ofensas da vida, o racismo, as injustiças sociais, a corrupção, as guerras, enfim tudo que rebaixa o espírito ou não procura o seu enlevo. Em três dias, serão três lançamentos literários na capital gaúcha, a começar pelo livro de contos "Difícil de Explicar" (Pinaúna Editores), do porto-alegrense radicado em Salvador, João Ricardo Lempek, que será lançado nesta segunda-feira, dia 10, às 19h, na Palavraria Livros & Cafés (Vasco da Gama, 165). São 12 contos, alguns ambientados em Porto Alegre e Gramado narrados com leveza e tentando fugir da estrutura tradicional dos contos. Alegria, expectativa pelo desfecho e reflexão sobre assuntos da vida cotidiana são algumas das intenções do autor com os contos.

 

Na quarta-feira, dia 12, mais dois lançamentos. A mesma Palavraria, um dos templos dos lançamentos de obras, palestras e festivais literários, recebe o autor curitibano Luís Henrique Pellanda, que fará a sessão de autógrafos de lançamento do seu livro de crônicas "Asa de Sereia", quarto volume da coleção Arte da Crônica da Arquipélago Editorial. Premiado como o melhor livro de crônicas de 2013 pelo site Rubem (http://rubem.wordpress.com), "Asa de Sereia" tem a cidade de Curitiba reinventada, examinada e auscultada por Pellanda. Ela é o palco onde ganham vida personagens imperceptíveis, monumentos e ruas aparentemente comuns da capital paranaense. Lirismo, fantasia, mistério e uma grande dose da observação de sintonia fina, de simbiose homem-cronista com a cidade. As sereias de ferro da Praça Osório, a banca de jornais da praça Santos Dumont ou um predinho velho de esquina da região da Santos Andrade ganham contornos de sonho ou de realidade mágica nas letras pulsantes de Pellanda.

 

Luís Henrique Pellanda na visão de Ignácio de Loyola Brandão "é o escritor que tem olhar afetuoso e irônico sobre seu lugar e sua gente". Da crônica Musas de Ferro emana um dos mais belos inícios de crônica dos últimos anos: "Eu já quis ser menino de rua só para nadar sem roupa na sereias de ferro da Osório". A metrópole em reconstrução permanente de Pellanda pode até contar com um segundo observador para contar o intangível, como Luiz Ruffato, observador como o curitibano de um homem que poderia estar bêbado ou tendo uma convulsão ao atravessar a rua Cruz Machado. Na dúvida, a dupla de escritores resolve matar um bife a cavalo no restaurante da esquina e acompanhar o desfecho com olhar de soslaio pela janela do local. Pellanda é escritor e jornalista, autor dos livros "O Macaco Ornamental" (contos), "Nós Passaremos em Branco" (crônicas, finalista do Prêmio Jabuti 2012) e organizador dos dois volumes de "As melhores entrevistas do Rascunho" (Arquipélago).

 

Também na quarta-feira, 12, às 19h, na Livraria Saraiva – Moinhos Shopping (Rua Olavo Barreto Viana, 36), o jornalista e escritor Gustavo Machado lança seu segundo romance, "Marcha de Inverno" (Dublinense), com sessão de autógrafos. Neste romance distópico com pinceladas de trama noir, o autor de "Sob o Céu de Agosto", narra a história do artista plástico Otto, cujo amigo Teo, membro do governo deposto, está sumido, bem como o governador. Na busca pelo amigo, Otto se envolve com um grupo radical paramilitar e sequestra o delegado Sampaio, que está num beco sem saída, mas tempo de dizer a Otto: “Quando as coisas chegam a este ponto, é porque estamos no fim do mundo, meu bom amigo”.  

 

O primeiro livro de Machado, "Sob o Céu de Agosto, foi lançado em 2010 e, em 2013, foi publicado na Alemanha pela editora Ars Vivendi, com o título de "Unter dem Augusthimmel". Foi o primeiro livro da Dublinense lançado no exterior. O romance "Marcha de Inverno", finalizado pelo autor em 2012, antecipa, de alguma maneira, os movimentos sociais que eclodiram no País no ano passado, tornando o enredo ainda mais atual. Na orelha da obra, a jornalista e escritora Luciana Thomé diz: "Gustavo é um narrador nato que envolve o leitor neste cenário de desordem, conspiração e resistência. Um futuro sombrio que parece estar passos adiante do que as manchetes dos jornais já apontam há anos. (...) Neste romance que se inspira nos clássicos policiais, o caos é o regente. E o imprevisto é o resultado. Nada será como antes".