Por Luiz Gonzaga Lopes
Na sua circulação diária pelas alamedas da Praça da Alfândega, nesta 59ª Feira do Livro de Porto Alegre, o encontro mais do que prazeroso do blogue Livros A+ com o jornalista e escritor do assim chamado jornalismo ou literatura de aventura, Airton Ortiz. Após os cumprimentos habituais, o papo se sucede com a tradicional pergunta de o que ele está achando a Feira e aí o blogueiro resolve exercitar a imaginação do explorador Airton Ortiz, que lança Atenas (Benvirá), neste domingo na Feira, com mesa, às 19h, na Sala Leste do Santander Cultural e autógrafos, às 20h, na Praça Central. A pergunta é: se ele fosse um estrangeiro e viesse a Porto Alegre pela primeira vez, como ele definiria a Feira do Livro?
Amparado pela fertilidade de uma mente que já explorou do Vietnã a Cuba, da Índia ao Egito, do Tibete ao Alasca, Ortiz compara a Feira do Livro a um grande mercado de pulgas, a um grande bazar de livros no Centro Histórico da cidade. "Como esta feira aqui não existe nada igual pelo mundo. Nesta feira, o livro é realmente o centro, este formato de barracas a deixa ainda mais popular. Nos outros lugares, ela normalmente é fechada, burocrática, frequentada na maioria por pessoas que já vivem o dia a dia do livro e leitura".
Sobre o mercado do livro, Ortiz aconselha a que as pessoas procurem mais os saldos do que as novidades. "O leitor acaba sendo levado a sempre comprar a novidade, mas o leitor que espera um pouco mais ou procura os saldos, os balaios, e compra um ano depois, acaba sendo recompensado. O livro quem cria é o leitor, pelo menos 90%. Por isso, os leitores não devem ceder aos apelos de listas e sempre do novo lançamento, mas sim procurar por clássicos ou livros que realmente os agradem, no qual possam projetar a sua própria experiência", analisa o escritor.
Atenas é o resultado de seis viagens à Grécia. Na sexta, ele morou na cidade por um mês e meio, alugando um apartamento. Assim, realizou uma conexão da Grécia clássica que gerou as bases para a civilização ocidental com o período contemporâneo, constatando que a região que foi berço da democracia hoje vive uma crise econômica e moral sem precedentes. Ao defender os saldos, Ortiz exultou ao falar de um achado por R$ 9,90, o livro Viagem ao Pavio da Vela (Record), do jornalista Renato Modernell, um romance de um cara que volta no tempo e traça diálogos com o viajante e mercador italiano Marco Polo. "É um livro interessante, escrito de maneira criativa e que nos exercita o pensamento sobre alguns fatos da vida de Marco Polo", afirma Ortiz.

Para terminar, Ortiz aconselha as pessoas a lerem o mesmo livro mais de uma vez, pois em cada momento lerá um livro novo. "Um livro lido aos 15, aos 45 e aos 60 anos terá três histórias diferentes, uma a cada leitura, pois é refletido pela experiência e referência de cada leitor." Após este conselho, me despeço de Ortiz e descubro que fiz uma pequena viagem dentro da Feira com este amigo jornalista, e escritor.
