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Primeira aula de Literatura Brasileira na Flip



Por Luiz Gonzaga Lopes

??????????????Uma mesa reunindo três professores que lecionaram ou lecionam literatura brasileira no exterior intitulada A Primeira Aula abriu os trabalhos do Itaú Cultural na Flip, nesta quarta à tarde em Paraty. O encontro com jornalistas intelectuais, editores, agentes literários, gestores públicos na Casa da Cultura de Paraty reuniu João Cezar de Castro Rocha (Universidade Estadual do Rio de Janeiro/UERJ e professor na Inglaterra e EUA), Pedro Meira (Universidade de Princeton, EUA), Florencia Garramuño (Universidade de San Andrés, Argentina), sob mediação de Claudiney Ferreira (Itaú Cultural).

O tema predominante das reflexões que serão publicadas em novembro no livro A Primeira Aula, com organização de Pedro Meira, trataram de como preparar e apresentar uma aula sobre literatura brasileira em uma universidade estrangeira, para alunos que pouco ou nada sabem de português ou mesmo do Brasil, mas também do sentimento de estrangeiridade, das "epifanias que a sala de aula revela", como definiu Pedro Meira. Ele tratou da aura de magia que cerca a literatura brasileira em universidades como a de Princeton. "Temos que entender primeiro que lugar é esse de quem aprende sobre uma cultura diversa. O brincar de antropólogo, pois sempre acabamos sendo o outro após a primeira aula", afirma Meira.

Florencia falou dos diversos estrangeirismos, pois ela estudou no Brasil e lecionou na Universidade de Temple, na Filadélfia, e depois na Universidade de Buenos Aires. “O primeiro texto que trabalhei na Temple foi O Guarani, de José de Alencar. Eu tinha muitos alunos portugueses que entendiam a língua original do romance, mas eram estrangeiros para o textos, para os temas das Américas, dos índios etc. A literatura pode ser estrangeira para aqueles que falam a língua”, revelou a professora da Universidad de San Andrés, na Argentina. Ela lembrou também que os alunos, na aula de Civilização e Cultura Portuguesa, desconheciam que havia literatura urbana no Brasil. “O que eu descobri é que a literatura é sempre estrangeira, que cria mundos particulares, específicos, ensinar isto é o mais importante dentro deste mundo atual”, assinalou.

João Cézar se amparou no pressuposto de que ensinar literatura brasileira no exterior se revela mais no preconceito, lembrando que a estrangeiridade é nobre e que não se diferencia o brasileiro que estuda literatura brasileira e o americano que estuda a mesma matéria. “Em Princeton, dei aulas na Pós-graduação e apesar do domínio inicial do português ser precário, a intensidade foi favorecida por esta precariedade, pois eles liam um livro por semana e faziam dois ou três artigos recomendados, enquanto os meus alunos da UERJ não faziam isto”, revelou João Cézar de Castro Rocha, que também explicou os dois tipos de cursos nos Estados Unidos, os Survey Courses, que falam da recepção de uma determinada tradição literária e os monográficos, dedicados a um autor ou tema, que não precisa ser canônico ou que pode desconstruir o que é canônico.