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Um alemão inventivo e múltiplo



Livros A+ - Quem é Robert Löhr?

Marcelo Oliveira da Silva - Um inquieto berlinense que também passou parte da juventude na Califórnia, estudou cinema, letras e comunicação, tornou-se jornalista, escreve livros (que o tornaram famoso) roteiros para filmes (que eventualmente dirige) e peças de teatro, além de ator e manipulador de bonecos.
Livros A+ - A mesa desta terça-feira na Feira do Livro fala da inventividade dos romances de Löhr, que em A Manobra do Rei dos Elfos consegue colocar Goethe, Schiller e o naturalista Humboldt lutando contra Napoleão num mesmo thriller histórico-literário. Conte-nos um pouco sobre a base desta inventividade em Löhr?

Marcelo Oliveira da Silva - Há diversos tipos de jornalista e o melhor deles é o sujeito curioso, receptivo e escrupuloso, nessa ordem. Löhr interessa-se por história e por cultura pop sem preconceitos hierarquicos. Quando você junta a isso uma escrita fluida, como o jornalismo diário exige, e rigor científico de pesquisa, como diferentes cursos acadêmicos forjam, é possível colar temas aparentemente dissonantes. Mas acredito que motor da competência criativa é insondável, a não talvez pela coincidência de se fundir num espírito artístico uma personalidade persistente. Isso ele tem.

Livros A+ - O assunto desta relação entre a literatura alemã e a literatura brasileira e estas homenagens ao Brasil na Alemanha e vice-versa. Como consideras que está o estágio desta relação entre os dois países?

Marcelo Oliveira da Silva - Acho que se Löhr vive-se no Brasil, ele responderia: Demorô! As culturas germânica e brasileira são antípodas interessantíssimas dentro de uma concepção de mundo cristã e ocidental. Um acorda organizando e o outro subvertendo, um quer habitar um prédio neoclássico, o outro um moderno, e nas férias um foge pra montanha, o outro pra praia. Modos tão diferentes de vida geram uma enorme curiosidade recíproca. Talvez os opostos não sejam o ideal numa relação amorosa, mas certamente são na hora em que se lê, em que se vive através dos sonhos de outro: é nesse confronto que a alma cresce. E temos mais de dez milhões de teuto-brasileiros para facilitar essa ponte. Então, não demorô?