A gente foi conferir de perto (muito perto!) a inauguração da Arena do Grêmio para contar tudinho pra vocês. Esperamos que vocês se sintam um pouco dentro da nova casa tricolor.
Logo que se chega, a altura e imponência da Arena assustam. É muito alta, como se fosse um prédio de cerca de 20 andares. Os arredores ainda parecem um canteiro de obras, e o acesso ao estádio foi um pouco complicado. Alguns raros orientadores davam informações meio desencontradas para quem não sabia por qual portão entrar. E os portões demoraram a ser abertos, o que também incomodou os torcedores que faziam fila debaixo do sol quente da tarde de sábado. Não estamos aqui para esconder a real situação, então vamos falar umas verdades, sem firulas: alguns elevadores não estavam funcionando, muitas goteiras vindas de vazamentos de canos alagavam o chão e pouquíssima sinalização indicavam as entradas.

Mas, com algum esforço, entra-se na Arena. E aí, meus amigos, entra-se também em um estado de contemplação. Depois de uns cinco minutos assombrado, a sensação que se tem é de estar em um estádio europeu (a Arena lembra muito o Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid, como confirmou o Luxa). As cadeiras, todas bonitinhas e confortáveis, ficam um pouco grudadas nas da fileira da frente, o que deve ser bem ruim para que tem as pernas grandes. A combinação do azul, preto e branco em toda a decoração do estádio é linda. A proximidade da torcida e o gramado é muito grande.
É possível OUVIR uma ou outra coisa dita pelos jogadores, algumas instruções dos técnicos e até o estalo provocado por divididas mais fortes entre os jogadores. A acústica da Arena, então, é ensurdecedora. Quando boa parte da torcida resolve gritar, pobre do time adversário (que sofrerá uma pressão daquelas) e sorte do Grêmio (que de apoio não pode reclamar). E é claro que imaginamos como deve ser demais um show ali. Os telões de 96 metros quadrados, um em cada lado do campo, têm imagens absurdamente perfeitas e transmitem o jogo inteiro. Os refletores da Arena também são dignos de aplausos. Quando foram acesos para a partida entre Grêmio e Hamburgo, nossos olhos pareciam enxergar tudo em HD (:D). O espaço destinado à Geral do Grêmio é ótimo, construído pensando na torcida. E o show feito por eles é lindo (mas é lamentável e inadmissível o episódio das brigas).

Mas como nem tudo são flores, a hora de ir ao banheiro reservou surpresas desagradáveis: as filas até que não são tão grandes como nos tempos de Olímpico, mas ainda estão lá; poucas descargas das privadas funcionavam; o chão estava todo alagado e sujo; as pias são feias e não escondiam que tinham sido instaladas às pressas para a inauguração; não tinha papel para secar as mãos. As filas nos bares, dos poucos que funcionavam, também são grandinhas. Sobre os preços, sabemos que é em vão reclamar, mas pagar R$ 5 reais em um copo de refri dói na alma. O gramado da Arena não estava em condições de receber nenhuma partida de futebol. A situação mais crítica era nas laterais do campo, onde só sobraram buracos, frutos da vitória do Grêmio por 2 a 1 sobre os alemães.
A saída do estádio foi tranquila. O ruim, mesmo, é voltar para casa. A estrutura em torno da Arena também não está pronta, os ônibus e lotações que prometiam levar o público para o Centro eram raros e estavam longe do estádio e apinhados de gente. Táxis, nem pensar, estavam em extinção. O trem é uma boa alternativa, mesmo que se passe muito aperto para chegar até ele.

Quem olha para trás quando está indo embora enxerga uma Arena linda, enorme, iluminada de azul. Sem dúvida, é motivo de orgulho para todos os gaúchos ter um estádio desse porte em Porto Alegre, já que a Arena é a única multiúso da América Latina. Mas não se engane: tudo ficará ainda mais bonito quando ela estiver concluída. A inauguração (precoce) foi massa, mas deixou claro que a casa nova do Grêmio precisa de alguns retoques finais.