
Anos 90, coisa mais linda essa época que dá tanta saudade. Mas confesso que de uns tempos pra cá, essa mania de bandas–que-fizeram-sucesso-O-retorno estão começando a me fazer perguntar: que isso? Até entendo que a onda retrô tá aí, que tá todo mundo usando e abusando do que já foi muito bom e ainda serve como orgulho pra nós, que vivemos essa época à flor da pele (ui).
Mas nessa onda de revival, começo a questionar até que ponto é legal uma banda que não faz mais nada (e quando eu digo NADA é baseado em relação à música, à carreira), resolver um belo dia voltar, fazer uma turnê e ganhar umas doletas graças ao seu passado glorioso. Cheguei a comentar com um amigo que achava essa uma atitude que soava um tanto quanto oportunista, principalmente quando se relacionava às boybands. Algo do tipo, New Kids on the Block??? WTF? New Kids on the Block??? Qual o sentido ver os guris que há 20 anos eram uma combinação de refrão chiclete e rostinho lindo hoje, quarentões, praticamente sem voz (porque na época já se falava em playback nas apresentações deles). E daí a questão: essas bandas estão fazendo o papel delas, de acharem uma brecha no mercado e tchum, mergulharem nele, ou estão sendo realmente oportunistas e nós reféns de pouca coisa nova, que substitua, ou simplesmente querendo (mesmo?) celebrar esse tipo de apresentação?

Não sei a resposta. Até porque fui no Los Hermanos (que não apresentam na-da de novo) e amei. Fui no Roxette ano passado, assim como no Tears for Fears, e também adorei voltar anos atrás. É estranho. E isso também me faz cogitar outro ponto: o músico, mesmo não criando absolutamente nada, continua carregando seu legado com sua obra eternamente, correto? Então, pensando assim, é absolutamente normal e aceitável depois de uma, duas décadas, retornarem aos palcos pra repetir o que já foi sucesso? Pode ser que sim, mas não vou deixar de achar estranha essa situação em algumas bandas. E não é preconceito. Ou por acaso todo mundo gostou de ter ido no Guns e ter visto o Axl daquele jeito? Sem voz, atrasado, desrespeitando o público em todos os shows no Brasil?
É de se pensar. O público é curioso, as pessoas vão ver New Kids on the Block. As pessoas vão ver Ugly Kid Joe. Mesmo eles tendo desaparecido séculos e ressurgido das cinzas, sem ter nada novo pra mostrar. Eu gostaria de ver Joey quarentão fazendo os passinhos de Step by Step. Ou seja, as pessoas compram a ideia, vão, pagam, convidam os amigos. E eles? Estão no papel deles? Uma vez sucesso, sempre sucesso?
Em tempo: O New Kids on the Block se apresenta dia 17 de junho em São Paulo e a banda californiana Ugly Kid Joe no Opinião, em Porto Alegre, no dia 12 de agosto.