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Aos 34, em ponto

Aos 34, em ponto

Parou quem não tomava por costume o parar. Aos 34 anos, com a forma comprometida, joelhos que mal teimavam em suportar um corpo que já não correspondia como antes, parou Ronaldo, descontinuou o Fenômeno.
E parou porque tal ato se fez imperativo, porque a hora de cessar do boleiro, mais do que qualquer outra profissão, aporta sempre com mais velocidade. Uns até tentam prorrogar jornada com maestria até seus últimos chutes, mas poucos conseguem tal feito.

Até bem pouco, Ronaldo ainda tentava impor seus dribles, atravessar zagueiros como sempre de atitude tomou por praticar, mas corpo começou a hesitar e já não respondia aos mandamentos da cabeça como antes. Sincronia e elegância, que funcionavam tão bem, já não se faziam tão presentes nos últimos tempos.

De todo modo, mesmo com uma queda ou outra, Ronaldo sempre se manteve entre os grandes dos grandes. E ficará ali, naquela seleta categoria de inolvidáveis criaturas do mundo tão apaixonante dos gramados, aquela de senso comum futebolístico, que dita, de cor, de primeira, sem prévios cálculos ou ponderações, os notórios mestres da bola.

Ato final se fez de hora apropriada. Não cabia, não se fazia necessário o contrário. Quem teimava em quebrar limites, de obra já bem feita e consolidada, impôs um a si próprio. No momento correto, mas já deixando saudades aos que apreciam as boas peripécias deste mundo da bola, parou quem não se afeiçoava a parar.