Por Guilherme Alf
Eu amo Porto Alegre, não tenho dúvidas disso. Aqui estão as pessoas que eu amo, o clube que eu torço, os amigos que me fazem bem, os restaurantes que eu gosto, os parques que combinam com um bom chimarrão, supermercados com boas carnes para um churrasco, enfim, Porto Alegre é MAIS PREZA. Já morei no Rio, em São Paulo e também em Curitiba. Dos cariocas eu trouxe a alegria de VIVER ? ô povo que aproveita, esse. Dos paulistas, voltei com a impressão de que, para morar por lá, sua vida financeira tem que estar muito bem resolvida, e não era o que meu caso! Da capital paranaense, trago ótimas lembranças (principalmente dos restaurantes) e a certeza de que Curitiba ainda vai se tornar uma potência do nosso país, pois caminha para isso.
Mas e Porto Alegre, hein? Para onde vamos? Em que pé estaremos pós-Copa 2014? Estou preocupado e não é com as obras. Acho que precisamos tomar uma decisão imediata. Sim, precisamos. Eu, você e todos os moradores da nossa capital. Que tipo de cidade queremos ser? Grande, moderna e movimentada? Média, tranqüila e funcional? Estamos na encruzilhada, ou como diria o velho poeta: "ou vai ou racha". Não acho que a opção de ser uma cidade “média” ruim. As grandes capitais vêm com grandes problemas na bagagem. Mas também vêm com maiores opções. O chamado ônus e bônus de qualquer decisão que se toma nessa vida.
Temos de ter coerência. Se queremos ter Copa do Mundo, precisamos nos preparar decentemente para isso. Na última sexta feira, resolvi ir à rua Padre Chagas tomar alguma coisa com amigos. Passavam alguns minutos da meia-noite e 80% dos bares, sim eu disse OITENTA POR CENTO dos bares já estavam fechados. Tente ser atendido em inglês em algum restaurante de Porto Alegre. Já faz uns bons anos que escutamos em revitalização do Porto Mauá, não? Quem conhece Puerto Madero, em Buenos Aires, sabe o que estamos perdendo. E as carroças no trânsito? Notem que não estou fazendo nenhuma colocação que envolva a estrutura da Copa diretamente (estádios, hotel, aeroporto) porque senão o texto ia longe.
Sinto que passamos por uma crise de identidade. Queremos o bônus, mas não o ônus. Bonito e funcional o lance das novas lixeiras, mas o povo está educado suficientemente para recebê-las e usá-las da maneira correta? Eu, sinceramente, não sei o que eu quero para a nossa cidade. Ainda estou na dúvida. E muito por não confiar em quem toca essa mudança, porque, na minha opinião (e tomara que algum deputado não me processe por emiti-la), a maioria dos governantes não está preocupada com o rumo da cidade, e sim o rumo da sua conta bancária.
Falamos