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Combustível: informação

Por Guilherme Alf

Minha geração já nasceu no meio da revolução digital. Nós estamos criando os modelos, os moldes, os caminhos de como se deve conviver com tanta informação. Quando tiver um estilo de vida mais “adaptado” a tudo isso, talvez eu não esteja mais aqui. Quem sabe até lá a informação já não está chegando no céu? Não, eu quero paz!

O número de informações que recebo no meu dia a dia vem aumentando muito, segundo o Alf Institute Pesquisator. Falando sério, estou enfrentando uma grande crise com isso. Tem muita informação aí que eu não quero receber, mas ela chega até a mim. Quando eu era pequeno, a primeira coisa que fazia ao acordar era chamar pela minha mãe. Cresci e passei a ler o jornal. Hoje, acordo, pego o celular e leio o twitter antes de levantar. Já acordo sabendo de muita coisa. Quando chego aqui na redação, são emails, Facebook, alguns sites de notícia e vamos trabalhar. Durante o expediente, é um olho no que estou fazendo, outro no Twitter e outro no Face. Tudo ao mesmo tempo, pois eu, e todos da minha geração, temos muitos olhos, sabia?

E assim vou indo o dia todo. Tudo em tempo real. Se estou em um lugar que não tem TV, nem rádio, sem problemas com o celular, acompanho em tempo real a atuação do meu time. Tomo as decisões do dia a dia sempre atualizado com tudo o que acontece. E isso é bom? Isso me faz bem? De certa forma, sim, já que trabalho com comunicação é preciso estar ligado no mundo. Mas essa avalanche de canais e informações que eu sugo estão me tornando dependente, além de terem me tirado o “fator surpresa” da vida. Hoje em dia me surpreendo muito menos e isso é triste.
Preciso criar um bloqueador de informações. Não posso me desfazer dos canais, dependo deles para o meu trabalho, mas preciso encontrar o limite. E logo. Outro fato apontado pelo estudo realizado pelo meu Instituto: a vida nas redes sociais dobra os teus sentimentos. Explico-me. Se acontece algo legal, tu comemora, curte com quem está contigo e depois faz o que? Joga na rede! É a felicidade extra-compartilhada. Mas quando é noticia ruim, sofre em dobro. Acabar um relacionamento ao vivo é difícil. Não bastasse, você ainda precisa acabar com ele na internet. Lá está você “terminando” pela segunda vez e se desiludindo de novo.

A informação hoje é o combustível do meu dia a dia. É o que me faz ir para frente, ou para trás. Está errado. Eu deveria ouvir mais os meus sentimentos, as minhas convicções, os meus objetivos e menos as informações abundantes que estão aí. Vou começar tentando filtrar melhor. E vou fazer isso agora mesmo, dando uma limpada no meu feed, em quem eu sigo no Twitter... Ai ai ai, já estou preso na informação de novo!