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Eles mudam o mundo

Eles mudam o mundo

Todo mundo sabe que viajar para o exterior é excelente. Quem já foi quer voltar, quem ainda não teve a oportunidade está a espera de uma chance para carimbar o passaporte. Conhecer novas culturas, desbravar novos lugares, temperos e idiomas. Depois da vivência em outro local, basta fechar a mala e retornar para o país de origem com uma bagagem a mais, a tal da “bagagem de vida”. Mas, será mesmo que um intercâmbio tradicional oportuniza essa experiência de forma completa?

Para a maioria pode ser que sim, mas para Ksenia (Rússia), Sebastian (Colômbia), Lauren (Estados Unidos), Irsa (Paquistão) e Damla (Turquia) a vinda para o Brasil fugiu do convencional. A viagem deles não é somente um aprendizado de uma nova língua, um trabalho numa lanchonete e viagens no final de semana. Os cinco jovens fazem parte do grupo que veio para cá para ensinar valores de responsabilidade social, meio ambiente, empresariado e liderança. Através do projeto EduAction, promovido pela organização internacional de estudantes AIESEC – Associação Internacional de Estudantes de Ciências Econômicas e Comerciais – (e que recebe apoio de uma empresa privada) eles vieram para compartilhar conhecimento com crianças e adolescentes da rede pública de ensino porto alegrense.

Nos países em que vivem, eles são estudantes de Ciências Política, Publicidade, Administração e Relações Internacionais. Aqui, viram professores. Diariamente, lecionam para grupos de 6ª a 8ª série, em turmas com média de 20 alunos. Ksenia diz que a diferença de idade dentro de uma mesma classe foi uma das coisas mais surpreendentes. “O comportamento deles é parecido, mas as idades são tão diferentes”, fala com ar de surpresa. A paquistanesa Irsa reparou que algumas escolas, mesmo recebendo suportes financeiros idênticos, têm qualidade de ensino inferior: “Todas são públicas, mas algumas são visivelmente melhores, com alunos mais interessados e com mais facilidade de aprender.”

Cotidiano de aprendizado

A rotina dos intercambistas é agitada. Realizam o planejamento semanal das classes, gastam parte do tempo com o deslocamento até os três colégios e necessitam passar por orientações e preparos para encarar alunos, muitas vezes, inquietos.

Em meio a entrevista concedida ao It’s Mais, a estudante de publicidade paquistanesa admite: “Eles estão super ativos hoje. É o final da aula, essa turma é uma das mais dispersas”. Enquanto isso, Ksenia e Sebastian, num português impecável, explicam calmamente a tarefa do dia. Os estudantes devem formar grupos, inventar uma ONG, uma empresa e um movimento social – é indispensável que as ideias englobem medidas sociais e ambientais.
Depois da reunião da classe para decidir o que será criado, as apresentações evidenciam as principais preocupações dos alunos: drogas, doenças, má alimentação e desemprego. Instigados pelos estrangeiros a justificarem suas escolhas, o Brasil é desenhado pelas vozes dos meninos que talvez não levem tão a sério a atividade, mas que não conseguem disfarçar o que no fundo os amedronta. Diante daqueles cinco forasteiros, sem que percebam, está a representação perfeita da vida de um cidadão brasileiro temeroso com a falta de oportunidade de emprego, com o tráfico e a criminalidade.

Nessa troca de conhecimento durante uma simples atividade, frases como “porque quando tu estás feliz fazendo o que quer, tu não queres estragar depois”, “dar emprego para tirar da rua, do caminho das drogas”, “melhorar a saúde nos postos”, “recolher quem está na rua” e “uma comida mais saudável e mais barata” assemelham-se aos discursos de um político qualquer, recheado de clichês e bordões. Entretanto, eles só se parecem, pois saídos da boca dos jovens provenientes da classe C aparecem como queixas e temores, que clamam por atenção e soluções.
Esse retrato de um povo não se vê dentro dos guias de viagem, nem se compra em cartões postais. Se sente de perto através da atitude desses intercambistas dispostos a conhecer novas culturas, mas principalmente a se doarem, dividindo conhecimento, ensinando e aprendendo muito com o trabalho voluntário.

Sobre a AIESEC
Presente em 1.700 universidades de 107 países e territórios, a AIESEC é uma rede global formada por jovens universitários e recém-graduados, que, por meio do trabalho dentro da organização e de intercâmbios profissionais, estimula a descoberta e o desenvolvimento do potencial de liderança de seus membros para que impactem positivamente a sociedade.A AIESEC possibilita aos jovens uma experiência integrada que desenvolve competências pessoais e profissionais a partir de vivência internacional, troca de conhecimentos, valorização da diversidade e gestão de equipes.