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Entrevista: Lucas Silveira

O papo com o Lucas começou no impresso e segue aqui com a gente no blog galera!

Confere aí!

 



Uma característica muito forte na sua carreira solo são as letras das músicas, numa composição mais refinada. A literatura te dá um respaldo pra isso, você lê bastante?

Eu não sei se refinado é a palavra, pois essas músicas, sei lá, 80% delas nasceram para ser da Fresno. Eu tenho DDA, eu não consigo ler livros muito grandes. Até consigo, mas eu leio quatro páginas e depois fico tentando me lembrar do que eu acabei de ler. Mas eu sou apaixonado pela língua portuguesa, pela fonética das palavras, pelo vocabulário estranho, pelos mil sinônimos. Eu gosto de brincar com isso. E o processo de inventar uma melodia e tentar encaixá-la em palavras que façam sentido, que sejam sinceras de uma maneira que eu me sinta confortável cantando-as pelo resto dos meus dias. É uma responsabilidade, é um negócio louco. Mas eu não sei de onde veio isso, pois eu não tenho o costume de ler livros. Eu gosto de poesia, gosto de "literatura de internet", então a minha inspiração "lírica" acaba vindo muito mais de outras canções, de outros artistas, do que dos livros em si.

Além do Visconde e da Fresno, você ainda toma à frente do Beeshop e do projeto eletrônico SIRsir. Inclusive, com este último, você tocou no SXSW no Texas, um dos festivais mais importantes da atualidade, agora em março. Como está sendo ver um projeto seu tomando essa proporção e bem-sucedido?

O som eletrônico transita num cenário totalmente diferente do rock. Mesmo quando rolam essas intersecções entre rock e eletrônico, como rolou com Justice, com Daft Punk, e como rola hoje com o Skrillex, existe um negócio rolando por trás de tudo, um público gigante sedento por remixes, por novas versões, que reconhece as músicas que rolam nas festas, e tal. E o SIRsir independe da Fresno nesse sentido, pois lá fora existem mais pessoas que conhecem minha música eletrônica do que pessoas que conhecem a minha banda de rock. Mas é uma coisa que eu gosto de fazer, mas que eu levo em paralelo. É de novo aquela coisa do exercício, da evolução musical e do aprendizado. E também da quebra de preconceitos. Eu quero mais é que cresça muito, e que faça crescer a minha banda por tabela, através do meu reconhecimento em uma outra cena. Quanto mais países e pessoas eu conhecer com a minha música, mais rica vai ser a minha história e o meu legado pra quem vem depois. Existe uma ambição por trás de tudo, eu quero deixar aqui o maior número de coisas pra que as pessoas possam ouvir e se identificar.

Você também está investindo em atuação e já fez testes para um filme. Da onde surgiu essa ideia e você pretende levar adiante, pensando em atuar em novelas, teatro, por exemplo?

A ideia não surgiu em mim não, na verdade eu fui convidado, pois precisavam de um músico brasileiro com desenvoltura no idioma bretão e que tivesse algum "skill" de atuação. Mas ainda não está nada certo. Eu gosto muito de cinema, gosto muito de trilhas sonoras, de composição erudita eletroacústica, então, meu interesse é mais focado na parte musical, embora eu não descarte nenhuma possibilidade nesse sentido.

** O Lucas traz o Visconde para o palco do Opinião neste domingo, 29, na Noite Senhor F, a partir das 21 horas. Os ingressos custam R$20 na hora. Para ouvir e conhecer mais o projeto, acesse soundcloud/Visconde.