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Eterna “Paixão” à lenda viva do RS

Eterna “Paixão” à lenda viva do RS

A Feira do Livro finalmente invade a Capital repleta de projetos, livros, oficinas e aprendizados. Com ela, uma figura importantíssima para o estado: o patrono escolhido para demonstrar seu amor pelas letras. Entre tantos nomes consagrados que já representaram a Feira, este ano é a vez de um grande símbolo dar o ar de sua graça por lá: Paixão Côrtes. Ele mesmo, o Laçador, que é literalmente um monumento cultural do RS! Entre um elenco de cinco escritores patronáveis - Airton Ortiz, Jane Tutikian, Juremir Machado da Silva e Luís Augusto Fischer - o eleito foi um guasca largado da campanha, como ele humildemente se intitula.

Paixão significa sentimento excessivo, afeto violento, entusiasmo. Coincidência ou não, nosso patrono toma do gaúcho esses mesmos sentimentos. Mas Paixão significa muito mais. É amar o folclore e o regionalismo, amar a história cultural rio-grandense e renovar as emoções dos gaúchos. E com uma figura tão importante sendo representada na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, é nossa obrigação contar um pouquinho do motivo que fez este legítimo gaúcho de 83 anos chegar a esse nível cultural.

Ele já ofereceu chimarrão ao então Papa João Paulo II em sua vinda ao Brasil, como símbolo da hospitalidade do nosso povo. Por causa dele é que existe a semana Farroupilha, uma solenidade que mobiliza todo o estado em setembro. Mas quem é Paixão?

Nascido em Santana do Livramento como João Carlos D´Ávila Paixão Côrtes, ele é agrônomo formado pela UFRGS, folclorista, compositor, radialista e pesquisador da cultura brasileira. Fez especialização na área de zootecnia, em ovinocultura, começou a vida como Classificador Oficial de Lãs e se aposentou na área agronômica como chefe de Ovinotecnia na Secretaria de Agricultura do estado, onde permaneceu por 35 anos.

Paixão introduziu avançadas técnicas na produção ovina, apresentou pesquisas folclóricas (fitas, discos, horas e horas de gravações apresentando as atividades nativistas), cursos, um conjunto musical de MPB e foi autor de, acredite, 87 obras. Desde jovem demonstrava liderança e, perdoem a redundância, paixão pelos costumes de sua região. Aos 15 anos, em Uruguaiana, declamou publicamente no Grêmio Literário do Colégio União o poema regionalista "O Nhô João o Tropeiro", de Paulo Setubal, poeta brasileiro.

Ao formar o Piquete da Tradição, Paixão e outros jovens buscavam resgatar a identidade da terra até então vistas como velharias. O grito deles era: "O Rio Grande precisa reagauchar-se!" A partir daí, fundou o Departamento de Tradições Gaúchas do Colégio Julinho, que geraria em seguida o atual Movimento Tradicionalista. Hoje, seus ideais fazem parte dos valores gauchescos de cinco milhões de pessoas espalhadas pelo Rio Grande, Brasil, Europa, América do Norte, Japão e Canadá.

Hoje, podemos vê-lo como convidado em áreas radiofônicas, falando das experiências de 40 anos como produtor e comunicador de motivos gaúchos, planificando cursos de danças pampeanas e oficinas de arte, fazendo palestras sobre tradicionalismo, participando de festivais folclóricos e recebendo homenagens em feiras de livros.

O título de patrono não é sua primeira conquista. Paixão Côrtes já recebeu estatuetas, troféus, títulos, como o de uma das 20 personalidades dos “gaúchos que marcaram o século XX”, entre outros. Enfim, falar de suas conquistas nos rende boas histórias e muita, mas muita leitura.