Home sweet home, Job hard job
Nessa semana resolvemos postar aqui o texto enviado pelo Andreas, resumindo os últimos dias da galera do Live Trip. É pagar para ver o esforço que os guris estão fazendo para se dar bem. Vivendo e aprendendo!
Enfim todos juntos. Merecidamente! Clavé teve hoje seu “day off”. Portanto, essa semana é a minha vez (Andreas Eduardo) de contar o que anda acontecendo por aqui.
Com a nossa chegada (Fernando e eu) em Mount Maunganui, e a do Cássio Tramontini (grande amigo nosso de Porto Alegre) na New Zealand, ficou completamente inviável continuar vivendo na van. Clavé, Arthur e Lucas Behrend haviam encontrado um apartamento para quatro pessoas com um custo de U$ 400 por semana, bem mais acessível que um backpacker, hostel ou camping. O único porém é que agora estávamos em seis e se usássemos nossa grana para pagar aluguel, ficaríamos praticamente “zerados”.
Resolvi ir para casa de Andrew e Miriam, um casal de kiwis (como é chamado o povo neozelandês) que conheci na viagem a Cape Reinga e que me convidaram para ficar em sua casa até encontrar um emprego e um apartamento maior para toda a galera. Isso facilitou para que os guris, em uma atitude corajosa, partissem para o "tudo ou nada" e alugassem o apartamento de quatro pessoas entre cinco. Com o dinheiro chegando muito próximo ao fim, precisávamos mais do que nunca arranjar trabalho.
Após inúmeras tentativas mal-sucedidas em bares, restaurantes e cafés, conseguimos contato com um empregador em fazenda de kiwi (sim, a fruta), que estava precisando urgentemente de mão-de-obra. Trabalho hard! Seis dias por semana, dez horas por dia embaixo de sol, cortando folhas por U$ 10 a hora. Dinheiro suficiente para pagar as contas e juntar uns cents pra bancar algumas festas e seguir viagem em um futuro não muito distante.
O tempo estava abrindo e, finalmente, os ventos da sorte começaram a soprar para o nosso lado. Como a fazenda ficava a mais ou menos a 40 km do apartamento, era mais viável morarmos todos juntos. Em quatro dias tive que dar good bye ao aconchego do lar kiwi, à comidinha quente e à roupa lavada para me juntar aos guris.
Para completar, o Lucas Pires voltou de Nelson (uma cidade localizada na Ilha Sul) para Mount e passamos a viver em sete num apartamento com três camas. Dá pra imaginar a organização do local? Um copo limpo equivalia a ganhar na mega sena. Dormir em colchão era mais do que luxo. E não pegar fila no banheiro só por volta das quatro da manhã...
O bom disso é que estávamos somente entre amigos e tudo era motivo para boas risadas.
Começamos o trabalho na fazenda; um pouco mais difícil do que esperávamos. Além de cansativo era totalmente repetitivo. Passávamos dez horas por dia esmagando e cortando um tipo de “aspargo” que nascia nas plantas de kiwi, mas a motivação financeira nos fazia prosseguir. Em seguida, dois amigos gregos (que conhecemos em Auckland) estavam vindo morar no Mount. Poderíamos alugar dois apartamentos e ainda morar com gringos para treinar o inglês.
Como as aulas da faculdade haviam terminado em Auckland, Harriet, filha de Miriam e Andrew (os kiwis onde fiquei hospedado), estava vindo visitar a família e para comemorar as férias ia dar uma festa. A situação estava melhor do que nunca.
A gente só esqueceu que o "tempo" aqui na New Zealand muda muito rápido. E os ventos (aqueles da boa sorte) começaram a baixar. O trabalho já não era mais seis dias por semana, mas só quando o chefe ligava. As dez horas por dia se tornaram de seis a oito; e ao invés de U$ 10 por hora começamos a ganhar por produção: U$ 4,50 por quilo de flores que colhíamos. Como uma praga havia afetado as fazendas de kiwi, trabalhar por produção era mais complicado, pois mesmo com hard work se fazia uma media de 1,5kg/hora, o que equivale a mais ou menos U$ 6 / hora. Ou seja... Como se não bastassem as mudanças no trabalho, convidamos Harriet e seus amigos para comemorarem meu aniversário (em retribuição àquela festa). Depois de uma comemoração um tanto barulhenta e regada a Export Gold (cerveja local) arranjamos mais dois pequenos problemas: perturbamos o sono dos vizinhos e, obviamente, não acordamos para trabalhar no dia seguinte. Isso pode fazer com que a gente retroceda ao ponto inicial: não ter mais trabalho e muito menos onde morar. E, para completar, estamos prestes a perder um dos guerreiros. O Clavé está entrando em um relacionamento sério com Sheryl, uma Kiwi, amiga de Harriet.
Agora só nos resta fazer o de sempre: pensar positivo e torcer para que o manager e o boss entendam as nossas desculpas em inglês. Contamos como termina esta história semana que vem, neste mesmo horário, não sei se neste mesmo local, mas com certeza no It’s Mais!
Torçam por nós.
Beijos e abraços a todos e um recado para os nossos pais: não se preocupem! Apesar de tudo o que vocês leram, está tudo sob controle!
OBS: Ao lado, algumas fotos dos quase kiwis!