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Mudou ou eu mudei?

Por Guilherme Alf
No verão passado me fiz uma pergunta, agora já estamos quase no verão novamente e ainda não consegui chegar a uma resposta. Eu fiquei velho e cansei das festas ou as festas ficaram ruins e eu não gosto mais tanto delas? Vou começar pelo exemplo mais clássico. O ponto alto do verão. O êxtase das nossas férias no calor. O grande e esperado C A R N A V A L.
Quem esquece os banhos de espuma que rolavam no Ibiza? Cara, isso era carnaval. Ou as bandinhas que embalavam o carnaval na SAT, em Tramandaí, isso era carnaval. Aliás, lembro que os bailes por lá eram marcados pela “pegação”, não tinha 0x0. Voltando um pouco mais, lembro dos carnavais que passei no CPC, em Cidreira. Consigo visualizar a cena: eu, com 16 anos, no meio do salão, e a banda tocando a Dança da Tartaruga! Todo mundo dançando se divertindo, sem se preocupar com futilidades. Apenas se divertindo.



E os blocos de carnaval? O clássico GUT GUT em Capão reunia milhares de pessoas. O bloco Vip em Atlântida, primeiro bloco onde as “petecas” e os “playboys” topavam vestir “uniforme” para ir para a concentra! Quem é de Cidreira, tem perto dos 30 e não conheceu o Bloco do Amor, não sabe o que aquela praia tinha de bom.
Mas isso não é um post sobre carnaval e sim uma volta ao passado. Imbé já foi o grande centro das baladas do litoral. Até hoje o Scooba se mantém, mas quem lembra do Soleil? O Armandinho tocava direto por lá, quando ainda fazia shows apenas com músicas cover. Lembro do Circus Beach, versão de verão de uma das baladas que fez muito sucesso em Porto Alegre. Tinha mais alguns que eu estou apanhando para lembrar do nome, acho que eram Padang Padang, Tequila Draft e o Swel, esse era um barzinho muito roots onde rolava reggae e forró. Muito bala.
E para encerrar o momento nostalgia: Av. Central de Atlântida. Perdoem-me se esqueço de alguns lugares, não sou tão experiente em noites quanto as minhas namoradas achavam que eu era. O Ibiza devia ter sido tombado como patrimônio histórico da minha geração. Cada Réveillon, cada Carnaval, meu Deus, lembro da primeira vez que entrei no camarote do El Cielo. Aquilo tudo era muito maluco, era uma noite teatral, tinha enredo, tinha preocupação com detalhes, o Julius foi um visionário. E quando a gente estava sem grana, era só ir para o Bar do Lado, butecão com cerveja gelada, clima praiano,gente bacana. Em frente, o The Front fechava o trio, sempre com shows legais das principais bandas do momento e com o clássico ÍNDIO no palco da frente. Aliás, até hoje ninguém entendeu aquilo, mas o que importa é que era divertido. Mais para baixo, lembro de ter visto pelo menos 20 grandes shows no Rocky Point. Era toda semana uma atração nacional (e às vezes até internacional) no palco e mais os bares espalhados pelo complexo, que tinham um clima que nos levava à beira da praia.
É amigos, sei que hoje temos ótimas opções de baladas no litoral, mas são diferentes. Chiques, badaladas, estruturas impecáveis. Mas acho que o verão ainda pede bermuda, gente animada e cerveja gelada.