
Por Guilherme Alf
Minha vida mudou a partir de maio de 2004. Já fazia alguns anos que eu era metido a tocar percussão. Comecei com bandas no colégio, depois rolou o Na Balada, bandinha que fazia enorme sucesso. Só na minha cabeça, claro. Lembro da primeira vez que a nossa música tocou na rádio, na Pop Rock. Nossa! Mal sabia eu o que ainda estava por vir. De um encontro com uns caras que eu nem conhecia direito surgiu o Na Moral. Em agosto, ou seja, três míseros meses depois, nós já viajávamos para o interior com frequência. Lembro como se fosse hoje do dia em que chegamos em Uruguaiana e tinha um outdoor escrito “Na Moral – A boy band que arrasta multidões”.
Tudo foi muito rápido. No réveillon daquele mesmo ano tocamos para mais de 10 mil pessoas no Ibiza (lugar que eu já frequentava há um bom tempo e onde nunca pensei que fosse tocar). Um pouco antes de completar um ano, tomamos uma decisão que até hoje reflete na minha vida: rompemos com o empresário. Assumi a gerência da banda junto com Pedro Band, meu colega de banda e na faculdade de Relações Públicas na PUC. Juntos lideramos por mais dois anos um projeto que até hoje me abre portas. No primeiro Planeta Atlântida que
tocamos, eu menti para os meus pais que tinha ganhado ingresso. Na verdade, tinha comprado com o meu dinheiro e dei para eles irem ver o show. No fim, os dois com os olhos cheios de lágrimas me disseram “tu calou nossa boca, tu é um artista”. Aquilo ficou gravado, não existe reconhecimento maior que o dos pais.
Nem tudo foram flores. Optamos por levar a banda como uma empresa, com regras, metas e projetos ousados. Uns deram certo, outros tantos nos fizeram quebrar a cara. Mesmo sem saber a gente estava construindo o profissional que cada um é hoje, mesmo que em carreiras
diferentes. Muita gente diz que a gente teve sorte, mas eu discordo. A gente trabalhou muito, suou, ousou, inovou, meteu a cara. Mas também cometemos erros. Hoje, tanto tempo depois, eu olho para trás e posso dizer que faria muita coisa diferente. Só que ao mesmo tempo, me questiono: será que não foram as coisas “loucas” e que hoje eu não faria mais que fizeram tudo dar tão certo?
Eu tenho muito orgulho de ter feito parte disso e hoje vai ser um dia muito especial. Por mais que a gente negue, todo mundo sabe que são os problemas de relacionamento que terminam com um grupo. Não é fácil conviver tão intensamente. Mas me sinto um tiozão (e acho que
os guris também) em hoje ter superado tanto coisa para reviver aquela época de alegria. Muita gente pergunta o porquê desse show e eu divido com vocês o meu motivo maior: a gente merecia! Nós chegamos quase lá. Um DVD (em 2006, ou seja, uma época mais complicada) para mais de cinco mil pessoas. Três viagens para Argentina. Mais de 500 shows pelo interior. Músicas entre as mais pedidas na rádio. Foi por pouco. Então, já que a gente se puxou tanto, já que tudo deu quase tão certo, não seria justo morrer assim, sem mais nem menos.
Obrigado Leo, Pedro, Pedrinho, Aragon e todos os envolvidos no projeto (impossível citar todos). Vocês deveriam ganhar 5% do meu salário para sempre. Não é muita coisa, mas vocês (mesmo sem saber) são muito responsáveis pelo o que eu sou hoje (não que seja grande coisa :P) Chega de falar, eu quero é cantar, tocar, dançar e celebrar hoje por todos os anos de FALCATRUA!!!!!
A formação original do Na Moral toca hoje às 23h na Farms (Av. Cristóvão Colombo nº 545 - Shopping Total).