Durante todo o mês de setembro a gente acaba comendo mais churrasco, bota mais água no chimarrão e, se bobear, até enxerga uns cavalos em meio ao trânsito. Para a Liane, o Camilo e a Mariana, esse cenário é absolutamente comum durante os 365 dias do ano. Eles resolveram trocar o ritmo frenético urbano pela lida campeira e nos contaram por que estão absolutamente realizados com suas escolhas!
"De que adianta morar na Capital, ter status, e ficar longe das coisas que me fazem bem?”. É assim que Liane Godoy, 24, formada em jornalismo, explica a decisão de abrir mão da profissão pra ficar perto do campo. Do interior de São Borja, ela até recebeu ofertas de emprego em outras cidades, mas não quis trocar a vida “lá de fora”. “Sou fascinada pela tranquilidade daqui: poder acordar com o canto do galo, camperear, sentir o cheiro do mato”.
Hoje, a guria passa a semana na cidade trabalhando, mas conta as horas para o fim da tarde de sexta, quando volta pra casa e faz as atividades que aprendeu com o pai. “Entendo um pouco de tudo porque sempre o acompanhei, mas faço mais a lida do gado. Também acompanho as carneadas, só não arrisco tosar ovelhas porque tenho medo de cortá-las”, conta.
Outra herança de família é o gosto por rodeios, onde Liane acampa com uma turma e se diverte numa pegada beeem gaudéria: comendo churrasco e jogando truco, “os costumes gaúchos podem ser simples, mas me emocionam e me fazem ver como é bom estar viva".

Podemos dizer que o estilo de vida do agrônomo Camilo Vianna, 27, começou a se desenhar desde cedo. Ele nunca ficou longe da lida. Durante a faculdade, foi pra Santa Maria, mas não se convenceu pelas festas e pelo ritmo de vida universitária. “O amor à terra sempre falou mais alto. É um gosto que devo ao meu pai, que também é assim”, considera.
Desde 2010, quando se formou, o guri vive só na propriedade da família, em Tupanciretã, e se dedica totalmente à rotina de lá. Isso significa, por exemplo, realizar a produção de forragens para os animais, acompanhar a parição do gado e as colheitas da lavoura de grãos, tarefas que ele adora.
O dia a dia do Camilo é bastante corrido, mas ele faz questão de manter hábitos simples, como usar pilcha, camperear a cavalo e ter a “hora do mate”. Trânsito e correria? Só quando ele vem a Porto Alegre para ver a namorada e alguns familiares.
Se a Mariana Salvador, 26, tem uma certeza na vida, é a de que ela quer viver no campo. A guria, natural de Uruguaiana, já morou em Porto Alegre, mas não curtiu e foi passar uma temporada nos Estados Unidos, onde trabalhou com cavalos de raça. A jornada por lugares totalmente urbanos serviu para ela voltar correndo, ou melhor, voando de Okhaloma direto para Alegrete, onde mora hoje, de segunda a sexta. “Percebi que era assim que queria viver”, conta.Atualmente, a rotina da Mariana é dividida entre dois mundos, já que passa os dias da semana estudando e trabalhando na cidade e vai para o campo apenas aos sábados e domingos. Mas essa realidade está com os dias contados, pois logo que se formar a guria vai fixar endereço na fazenda. “Lá a vida é mais gratificante e prazerosa, e posso acompanhar diretamente o nascimento e o crescimento dos animais”, comenta a futura veterinária.
E a Mariana tá careca de saber que por lá o clima é de acordar com o canto do galo e enfrentar a lida na chuva ou no sol forte, mas ela não hesita nem por um minuto da decisão. Na verdade, ela garante que gosta tanto da função que nem encara como profissão, mas sim como uma forma de levar a vida.
