Mais Preza

Tudo é hábito

Por Guilherme Alf


Lembro quando eu era pequeno, usar cinto de segurança era sinônimo de “estou indo viajar”. Quando tinha uns 12 anos, gostava de ir ao shopping à tarde e era bem comum ver pessoas fumando pelos corredores. E quando fiz minha primeira viagem de avião (também pelos 12 anos), que a moça da Varig perguntou para os meus pais “assento para fumante?”. Não consigo imaginar nenhuma das cenas acima acontecendo nos dias de hoje sem me espantar. Alias, há alguns dias, fui a um show em uma casa em Novo Hamburgo. Fiquei super chocado quando um cara ao meu lado acendeu um cigarro. E não era de maconha. Fiquei uns 5 minutos pensando sobre isso. Que viagem, há tão pouco tempo era muito comum voltar para casa de qualquer festa com o cabelo e a roupa numa “fedentina” de fumaça. Os próprios fumantes sentem-se incomodados com o cheiro contaminante do cigarro. Mas enfim, em pouco tempo (2, 3 no máximo QUATRO anos para cá) criou–se uma cultura de que fumar em ambiente fechado é algo que não se tolera mais. Mesmo que em alguns lugares ainda seja permitido, o próprio fumante se sente um transgressor dos bons costumes.

E o cinto de segurança? Esse faz um pouco mais tempo, claro, mas quero usar ele de exemplo e gancho. Há algumas semanas começou em Porto Alegre a campanha “Balada Segura” com blitz altamente equipada com bafômetros de quarta a domingo. O Mais Preza é um dos parceiros do Detran nessa batalha. Acompanhamos algumas ações, eu mesmo pude ir em uma quinta à noite, numa blitz na Nilo Peçanha. Qual a minha surpresa? A GRANDE maioria das pessoas que foi parada, encarou super na boa. Todos com quem conversei, comentaram sobre a educação e a preparação dos agentes de trânsito (sim, os tão xingados Azuizinhos) na hora da abordagem. Claro que todo mundo fica um pouco tenso quando é parado numa blitz, não é uma situação que acontece no dia a dia, mas precisamos entender que isso é um processo como o do cigarro, o do cinto. E como nos dois casos anteriores, ele tem como único objetivo nos educar mais, pois, infelizmente, a gente só aprende e muda “sob pressão”, certo?

Daqui há alguns anos, eu ia achar muito MAIS PREZA se eu pudesse escrever sobre algo novo que está surgindo e usa-se a blitz como referência. Na verdade, legal mesmo vai ser quando a gente tiver o hábito de não beber e dirigir, mas não é simples. Envolve muita coisa, muito interesse. É possível voltar de ônibus após uma balada em Porto Alegre? A pé? Dificil. Enfim, gosto de viver mudanças de hábito, estou disposto a colaborar por mais essa. E você?