Por Yasmin Reinehr
Na Praça da Alfândega, onde leitores se misturam junto aos estandes e obras diversas, um tema pulsa de maneira singular: o Grêmio. A cada passo, junto a algumas bancas presentes na 71ª Feira do Livro da Capital Gaúcha, é possível observar capas azuis, pretas e brancas em meio aos demais livros, transformando o evento em um ponto de encontro entre literatura e o mais puro sentimento pelo futebol.
Os títulos encontrados funcionam como convites para reviver capítulos marcantes da história gremista. Entre eles estão “Copa do Brasil – 1989: O Primeiro e Invicto”, de Alberto Lopes Franco e Daison Sant’anna; a biografia do ídolo Walter Kannemann escrita por Daison em parceria com o jornalista Eduardo Rodrigues; e “Suárez: 339 Dias no Brasil”, de Davi Lima de Oliveira.
Também aparecem obras sobre as gestões de Fábio Koff e Hélio Dourado, livros dedicados ao Estádio Olímpico, “Suárez Tricolor”, de Lucas Uebel, e publicações que recontam a caminhada rumo ao título da Libertadores de 2017. Parte desse acervo pode ser encontrada no estande da Associação Riograndense de Imprensa, que se tornou ponto de parada obrigatória para torcedores e colecionadores de itens pintados pelas três cores.
O historiador Daison Sant’anna traduz o que está por trás dessa produção intensa: preservar para não esquecer. “A importância de contar a história do Grêmio em livros tem como objetivo evitar que a trajetória do Tricolor fique esquecida”, afirma. Para ele, escrever sobre o clube também é plantar sementes. “Estimula a pesquisa da nova geração, desperta o gosto pela leitura, promove a imaginação.” E, quando isso acontece dentro da Feira do Livro, o efeito se multiplica: “Muitos torcedores só compram livros durante o evento. Ter essas obras aproxima o torcedor da literatura.”
E o amor dos leitores pelo Grêmio confirma essa conexão. Daison conta que quem adquire as obras são torcedores, orgulhosos ao ver o próprio time eternizado em páginas. Também, há outros que querem aprofundar cada detalhe, cada jogo, cada bastidor, e, claro, os colecionadores, os quais percorrem as bancas determinados a ter 100% das obras sobre o Grêmio em suas bibliotecas. Para todos eles, cada livro funciona como uma espécie de ingresso permanente para conquistas e emoções, na certeza de que “nada pode ser maior”.
Com as obras, torna-se evidente que o futebol também é literatura e que o Grêmio não é só um clube: é memória viva, identidade cultural e motivo de orgulho. A Feira do Livro, mais uma vez, prova que certas histórias ganham ainda mais força quando são contadas e registradas por meio de palavras e paixão.
*Supervisão Mauren Xavier