Oficina de Jornalismo

Acessibilidade: falha na Feira do Livro expõe desafios da inclusão

O encontro literário que reuniu estudantes surdos acabou marcado por falhas de comunicação e falta de inclusão

A escritora Simone Saueressig conversando com alunos durante atividade na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre
A escritora Simone Saueressig conversando com alunos durante atividade na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre Foto : Lívia Bernardes / Especial / CP

Por Lívia Bernardes Dutra*

A ausência de intérprete de Libras em uma atividade da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, realizada nesta segunda-feira (10), gerou desconforto e frustração para professores e alunos da Escola Estadual de Ensino Médio para Surdos Professora Lilia Mazeron, de Porto Alegre. O grupo participou de um bate-papo com a escritora Simone Saueressig, autora do romance histórico “O Ouro das Missões”, mas a comunicação com os estudantes surdos foi comprometida pela falta de acessibilidade prometida pela organização do evento.
Segundo Juliane Nunes, professora da escola, a equipe havia sido informada de que haveria intérprete durante a palestra, mas a profissional não compareceu. “Os professores tiveram que fazer a tradução, o que não é adequado. A gente não consegue cuidar dos alunos e, ao mesmo tempo, fazer a interpretação de forma correta. Eles ficam chateados, porque acabam sempre em segundo plano”, relatou.
A escritora também lamentou o ocorrido e refletiu sobre a importância do diálogo. “A comunicação é fundamental, ainda mais hoje. Se a gente não conversar, não vai entender o que move o universo, e o que marca o universo é justamente a nossa capacidade de trabalhar juntos, de dialogar. Tudo isso que estou dizendo é quase uma meia culpa, porque também acho que deveria saber conversar melhor com essa galera (alunos), olhar nos olhos e falar diretamente com eles. Mas a gente precisa reaprender”, observou.

"Precisamos, novamente, aprender a conversar com as diferentes linguagens. Eu acredito que nós, ouvintes, deveríamos aprender Libras como parte natural da nossa educação. É uma forma de comunicação que também compõe o nosso idioma”.

Em nota oficial, a organizadora da Feira, lamentou o ocorrido: “A Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) lamenta o ocorrido em atividade desta segunda-feira (10), quando a intérprete de Libras terceirizada não compareceu. A CRL já está apurando o fato junto à empresa responsável e reforça seu compromisso com a acessibilidade e a inclusão de todos os públicos na Feira do Livro de Porto Alegre”.

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*Supervisão Luciamem Winck