Oficina de Jornalismo

Arte trabalhosa





O artesão Sérgio Pinto Vicente participa da Feira há 30 anos (Crédito: Gabriel Brum)



Foi cercado de cintos, chinelos e os mais variados artigos em couro que Sérgio Pinto Vicente passou a metade das edições da Feira do Livro de Porto Alegre. Há mais de três décadas na Praça da Alfândega, o artesão altera a sua rotina durante o período do evento visando vender mais. "É a Feira do Livro, né, por isso tem que ter um cuidado especial. É puxado, a gente procura não manter fechado, deixar com um visual bonito. É a Feira do Livro e a Feira do Artesanato", brinca.


Atualmente, Sérgio chega por volta das 7h30min e encerra a jornada de trabalho 12 horas depois. Diariamente, monta e suspende todos os seus produtos. Para não ter de fechar a banca por sequer um momento, traz a própria comida de casa e a estoca em sacolas posicionadas embaixo de sua mesa. Apesar de desgastante, o esforço tem surtido efeito positivo. No último final de semana, conta que superou todas as metas estabelecidas: "A gente planeja ganhar tanto em um dia e tanto em outro. No sábado vendeu bastante. No domingo também foi bom, mas no sábado superou todas as expectativas".

Graças à feira, as mochilas e as pastas, principalmente as de estilo universitário, foram todas vendidas. Já pensando na próxima edição, o artesão planeja produzir exemplares mais simples, sem zíperes ou bolsos, voltados para o transporte de livros adquiridos no local.


No hiato entre a venda de uma peça e outra, Sérgio se reveza entre a produção de colares de búzios e a leitura. Mostra, com um sorriso no rosto, três exemplares da Bíblia dispostos em sua mesa e declara que, apesar de estar há tanto tempo ali, não chega a explorar a Feira: "Deixo ela para os meus netos comprarem livros. A única coisa que  sei fazer é trabalhar, trabalhar e trabalhar", após uma breve pausa, encerra, com um olhar resignado: "Por, no mínimo, mais uns 5 anos".


(Texto e fotos GABRIEL BRUM /Ufrgs / 5º Semestre)