Oficina de Jornalismo

Como o hábito da leitura transforma o desenvolvimento infantil além das telas

Em meio à Feira do Livro, pais, professores e especialistas destacam que a leitura estimula a imaginação, constrói a empatia e fortalece os laços familiares

Jennifer Cereja e o filho Pedro Henrique, de 6 anos, com o livro do youtuber e influencer Enaldinho
Jennifer Cereja e o filho Pedro Henrique, de 6 anos, com o livro do youtuber e influencer Enaldinho Foto : Layner Duarte / Especial / CP

Por Layner Duarte (Ulbra Canoas)*


Como manter viva a tradição da leitura entre nossas crianças em um mundo dominado por tablets e smartphones? Além disso, qual o impacto da leitura no desenvolvimento infantil? A 71ª Feira do Livro de Porto Alegre é o espaço propício para que possamos discutir este grande desafio contemporâneo, já que é um lugar que compartilha histórias, vivências e tradições, que passam de geração para geração.

Nesta edição da Feira do Livro temos, ao menos, dez bancas de livros dedicadas exclusivamente ao público infanto-juvenil, com os mais diversos títulos, autores e designs. Mas para estes livros irem para as mãos das crianças é preciso que os pais tenham o entendimento do quão é importante a leitura para uma criança e qual a sua contribuição para o seu crescimento e aprendizado.

“O livro estimula a imaginação, ele traz vocabulário, então eu acho muito importante que o meu filho tenha o contato com a leitura”, disse Jennifer Cereja, mãe do animado Pedro Henrique, de apenas 6 anos, que já estava muito feliz com o seu livro do “Enaldinho”, youtuber e influencer muito popular entre as crianças. Ambos estavam passeando pela Feira do Livro, representando a importância da família no processo de aprendizagem dos nossos pequenos.

“Eu entendo que as telas hoje em dia estão muito presentes, mas se a gente puder trazer um meio-termo, não esquecendo do livro, do desenvolvimento das crianças, é muito importante”, finalizou Jennifer.

Desafio da leitura na era digital

A leitura no ambiente escolar é um grande desafio enfrentado por educadores em uma era onde toda e qualquer informação está na palma da mão. A Feira do Livro recebe muitas crianças, principalmente de escolas da rede municipal e estadual, sendo que em média nove escolas visitam o evento por dia.

Apesar do desafio imposto pela era digital, o incentivo à leitura permanece uma prioridade fundamental no ambiente educacional. Para a professora das séries iniciais da Escola Municipal Leocádia, de Porto Alegre, Jancledir Escobar, a substituição das telas pelos livros é de extrema importância. Ela enfatiza que, embora as telas representem o futuro, os livros devem ser mantidos, pois são cruciais para o despertar da imaginação e para o desenvolvimento da leitura e escrita. “A gente tem um projeto no qual os alunos levam um livro toda sexta-feira para ler com a família, todas as turmas do Leocádia levam os livros e são incentivados à leitura”, concluiu Jancledir.

A importância dos livros no desenvolvimento infantil

Com a crescente dependência das tecnologias, precisamos analisar o impacto dos dispositivos eletrônicos no desenvolvimento infantil, onde o Brasil se destaca como um dos países com maior tempo de uso de smartphones e dispositivos eletrônicos. De acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), a proporção de crianças que possuíam celular próprio subiu entre 2015 e 2024: de 3% para 5% na faixa de 0 a 2 anos; de 6% para 20% na de 3 a 5 anos e de 18% para 36% na faixa etária de 6 a 8 anos.

A psicóloga infantil Bruna Simon aprofunda essa discussão, traçando um claro contraste entre o uso do celular e os benefícios da leitura. Segundo ela, o uso excessivo do celular tende a prejudicar o desenvolvimento da criança nas esferas social, cognitiva e emocional, afetando a atenção, a troca entre pares e a capacidade de lidar com a frustração. Em contrapartida, o livro atua como um instrumento de construção.

A leitura lúdica não apenas oferece conhecimento, mas também desenvolve a empatia, facilita a compreensão de emoções e situações do dia a dia, e aproxima as famílias. “O livro vai trazer a empatia, ele vai trazer o conhecimento, ele vai trazer a aproximação familiar. Através do lúdico, do livro, ele tem a possibilidade de compreender as emoções e situações do dia a dia”, pontuou a profissional.

Em contraponto ao celular, o livro estimula a criança de várias formas, seja através do manuseio das páginas, das texturas ou ainda do cheiro. O momento da leitura, quando compartilhado com um adulto, se transforma em uma oportunidade de vínculo afetivo e de interação, fortalecendo o alicerce emocional e relacional da criança.

O uso das telas com moderação e dentro dos limites recomendados também oferece outras experiências sensoriais. O segredo é conseguir equilibrar o hábito da leitura e o uso das tecnologias para que em conjunto sejam importantes ferramentas no desenvolvimento infantil. E você, já leu para uma criança hoje? Fica a dica.

A Oficina de Jornalismo - Talentos do Futuro - é uma realização do Correio do Povo com o patrocínio da Corsan. Nossa natureza movimenta o Rio Grande. Apoios Ulbra "É Ultra, é Única, é Ulbra" e CIEE-RS "somos integração, inovação e possibilidades".

*Supervisão Luciamem Winck e Mauren Xavier