Oficina de Jornalismo

Entre o toque e a tela: o conflito entre o livro físico e o digital

Na ‘selva’ da Feira do Livro de Porto Alegre, o conflito mostra-se presente

Entre as bancas, o livro físico ganha destaque e apreciação dos eleitores
Entre as bancas, o livro físico ganha destaque e apreciação dos eleitores Foto : John Wesley / Especial / CP

Por John Wesley*

Desde o início da era digital há quem diga que a tecnologia tomaria o lugar do ser humano. Fala-se até em máquinas dominando a humanidade — mas talvez isso não passe de pânico moral. Afinal, o ser humano é adaptável por natureza. Na disputa entre a mídia física e a digital, essa adaptação também aparece.

Ao caminhar pelas “selvas” da Feira do Livro, é possível perceber algo curioso: mesmo em um
mundo dominado por telas, ainda há um forte desejo por aquilo que se pode tocar. Esse
apego ao físico parece ter dois motivos principais.

O primeiro é o prazer do contato — a sensação de folhear um livro, sentir o cheiro do papel, o peso nas mãos. A experiência digital é prática, mas impessoal; falta-lhe o vínculo tátil que faz parte da comunicação
humana. O segundo motivo é o desejo de convivência.

Depois de anos de isolamento — pela pandemia e, mais recentemente, pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul —, as pessoas voltaram a buscar espaços de encontro. A Feira do Livro, neste contexto,
representa mais do que literatura: é um reencontro com o outro, com a cidade e consigo mesmo.

No fim, talvez o conflito entre o físico e o digital não seja uma guerra, mas um lembrete: mesmo cercados por tecnologia, ainda precisamos do toque, da presença e da troca humana.

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*Supervisão Mauren Xavier