Oficina de Jornalismo

Histórias dos povos indígenas e africanos ecoam na Praça

Espaço na Feira do Livro celebra a diversidade

Prática ancestral da contação de histórias marca presença na Feira do Livro de Porto Alegre
Prática ancestral da contação de histórias marca presença na Feira do Livro de Porto Alegre Foto : Ana Luiza Barbosa / Especial / CP

Por Ana Luíza Barbosa* (Ufrgs)

Com um livro em mãos e a vontade de conquistar cada criança, Bruna Ferreira traz à Praça da Alfândega as histórias mágicas que habitam o imaginário infantil. Contadora de histórias há dez anos, Bruna faz parte da equipe que dá vida ao espaço da Feira do Livro pensado para despertar o gosto pela leitura por meio da oralidade: a Aldeia das Histórias.

A prática ancestral da contação de histórias marca presença na Feira há anos e nesta edição é realizada em um ambiente inspirado nas comunidades africanas. Com um repertório que abrange também a história dos povos indígenas, o palco da Aldeia promove a troca cultural e a valorização da diversidade.

A proposta do local é que as crianças escutem as histórias e, em seguida, caminhem pela Feira, interessadas em comprar o livro narrado e na literatura como um todo. “A gente conta a história da forma mais bonita e do jeito que encante mais, justamente para que a criança tenha, depois disso, a ideia de procurar essa literatura de outra forma”, esclarece Bruna. Para ela, o mais gratificante em ser contadora de histórias, além de despertar o riso nas crianças, é poder homenagear os escritores dando voz a suas palavras enquanto eles ainda estão aqui para ouvi-las.

Em relação à temática do espaço, a contadora comenta que a ideia é trazer a originalidade do lugar onde estão e utilizar a literatura para incitar a diversidade, destacando o respeito entre culturas, povos, gêneros e raças.

Ela afirma que todo o processo contribui para a formação de cidadãos melhores ao plantar no coração das crianças a semente da igualdade: “É na infância que a gente muda os adultos”. Sobre a oralidade na cultura indígena, Cristino Wapichana, escritor e contador de histórias, menciona as funções importantes que as histórias assumem para os povos nativos enquanto transmissoras de saberes.

“Todas as histórias que a gente incutir nesse momento, sobre preservação, cuidado com o outro, com o mais velho, o respeito, tudo isso vai ficar na mente das crianças. E quando crescerem, essas histórias vão continuar reverberando dentro delas e serão pessoas boas.”

Finalista na categoria juvenil do Prêmio Jabuti 2024, Wapichana reitera a posição essencial da contação e da leitura de histórias para o desenvolvimento das crianças que, no futuro, responderão politicamente pelo país.

*: Estudante participante da Oficina de Jornalismo do Correio do Povo, Rádio Guaíba e Record Guaíba, com patrocínio da Corsan.