Questionado pelo professor Carlos Gerbase o porquê de achar cinema tão chato, Houellebecq disse que assistir a filmes não é prático. Não da pra parar e continuar depois.
Outra questão foi sobre a liberdade de expressão na França. Aqui cabe um parêntese: Houellebecq era capa do jornal Charlie Hebdo no dia 07 de janeiro de 2015, quando dois terroristas islâmicos invadiram a redação do periódico e mataram 12 pessoas, a maioria cartunistas. A percepção do escritor é de que o debate sobre o tema não se esgotou, uma vez que os ataques terroristas continuaram pelo país, e em sua visão, não devem parar.
Considerado como um romance distópico, "Submissão" conta a história de uma França governada por um líder islâmico, e é comparado a "Admirável Mundo Novo" e "1984". Houellebecq foi considerado como vidente de situações dramáticas após o episódio. Ele disse que não gosta do rótulo, uma vez que perdeu amigos na tragédia. Por outro lado, considera o livro com uma visão otimista, e que hoje possui uma visão mais pessimista sobre o futuro do ocidente e a relação com o islã.
Questionado se suas ideias poderiam servir de estímulo a islamofobia, xenofobia, e fascismo, deu uma resposta curta. "não".
Sobre o uso de tecnologias na informação, Houellebecq disse que odeia livros eletrônicos. "Na verdade, só gosto de cigarros eletrônicos" arrancando risos da plateia. Segundo Michel, nos "Gadgets" não é possível fazer anotações por cima e a luz é ruim.
Terminado evento, e fumando um cigarro (de verdade) no saguão da faculdade, questionado pelo repórter se ele concorda com a afirmação de Juremir Machado da Silva em sua coluna no Correio do Povo, que o põe como "expoente da expressão artística de nosso tempo", comparando com Jean Paul Sartre e Albert Camus, mais uma reposta curta. "Sim". E qual a sua opinião? "Eu não tenho opinião". Curto e grosso.
Texto: Pedro Brum/ ULBRA
Foto: Caroline Pacheco/ FAMECOS
