Oficina de Jornalismo

Muita história para contar



A Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça da Alfândega - seu palco tradicional -, rende muitos fatos diferentes a cada edição - 36 participações, então, rendem várias histórias, como as contabilizadas por Ivo Almansa, 57 anos, dono das bancas Érico Verissimo e Martins Livreiro. Após ter cursado quatro anos de Engenharia Civil, decidiu dedicar-se ao principal evento literário da capital gaúcha. Com tantas feiras na bagagem, ele traça um perfil, sob seu ponto de vista, dos jovens compradores de livro.

“A grande maioria dos jovens hoje é muito "enlatado", só quer ler best-sellers. Antigamente, interessavam-se sobre história do Rio Grande do Sul e do Brasil”, lembrou, ao fazer uma conexão com um fato classificado por ele mesmo como pitoresco. “Uma vez, estava chovendo muito em Porto Alegre e só a nossa barraca estava aberta. Então, entrou um rapaz e pediu para ver os livros mais vendidos. Quando a chuva parou, ele havia gasto 3.600 reais na nossa banca”, ressalta.

Empolgado ao falar sobre o que já vivenciou nesse tempo todo, Ivo Almansa recordou de um fato que era comum no final da década de 1970: como a Feira abria aos domingos, às 10h da manhã, os vendedores levavam churrasqueiras e bebidas para confraternizarem na hora do almoço. “Sinto falta desse contato mais pessoal”, lamenta emocionado o livreiro.

Para contar o que considera o fato mais marcante da edição atual da Feira, Ivo chamou sua atual mulher, Denise Filippini, de 46 anos, para ajudar a relatar. Noutro dia, um senhor cego pediu para ela citar alguns títulos que estavam à venda. “Eu falei dez (títulos). Ele quis levar todos e ainda pediu outros”, relata Denise, que ficou constrangida.
Por Marcos Westermann