Por Felipe Matiasso* (UFP)
Do Japão à América, sinônimo de quadrinhos japoneses e com origem no século 17, os mangás surgiram por meio de contadores de histórias em vilarejos e têm permitido a proximidade com a cultura oriental. Embora a popularização dos mangás no Brasil tenha sido no início deste século, foi na pandemia de 2020 que ocorreu seu crescimento exponencial. Diferente de outros países, por aqui, os animes levaram os consumidores aos quadrinhos. “As crianças foram ficando em casa, muitas tiveram somente como opção a TV a cabo e foi aí que tomaram o contato com esse mundo, que é muito grande” afirma o livreiro, Vitor Mário Zandoneneghi, um dos expositores da Feira do Livro de Porto Alegre.
Antes, os mais jovens buscavam iniciar-se na leitura infantil, aventura e terror. A chegada dos mangás abriu uma nova dimensão cultural para os novos leitores. A coordenadora da Feira na Área Infanto Juvenil, Sônia Zanchetta, ressalta: “Os meninos chegam lá e perguntam: ‘tem mangá?’ Depois eles partem para o gibi e outros gêneros, mas o mangá é a porta de entrada para muitos desses jovens.”
Os motivos pelos quais os mangás têm atraído a atenção dos consumidores vão além da narrativa e enredo. “Valores como amizade, lealdade, companheirismo, solidariedade, luta contra as injustiças sociais e contra os grandes impérios. Os animes e os mangás têm muito desses valores mais próximos que a gente tem, não só essa coisa do bem contra o mal.” conta o colecionador de quadrinhos André Alves, de 44 anos.
Acima de tudo, os mangás são uma expressão literária que tem sido responsável pela formação cultural dos jovens do Ocidente. Transcendendo fronteiras e solidificando valores em histórias que fogem do óbvio. Uma forma de ingresso ao outro lado do mundo.
* Estudante participante da Oficina de Jornalismo do Correio do Povo, Rádio Guaíba e Record Guaíba, com patrocínio da Corsan.