Oficina de Jornalismo

Poesia de Rua

   Morador de um albergue municipal de Porto Alegre, o jovem Keury Patrick encontrou na poesia uma forma de sobrevivência e de fuga dos problemas emocionais causados por uma infância perturbadora. O rapaz de 27 anos passa os dias pelas ruas ofertando versos para os amantes de literatura. Na 62ª Feira do Livro, poemas elaborados por ele mesmo são oferecidos aos visitantes,  com o objetivo de dar um pouco de alegria para quem lê.


   Antes de vir para a capital gaúcha, Patrick cursou Letras em uma universidade de Londrina (PR), onde morava. A falta de um ambiente familiar estável, bem como perspectiva de um futuro sólido na parte cultural, algo muito importante na literatura, levou-o a uma revolta, que teve como resultado a entrada no mundo das drogas. Sobre seu trabalho como poeta, ele comenta que sua renda diária é de 5 a 10 reais.



" São folders com poesias e histórias em quadrinhos de minha autoria. Eu cobro 1 real para cada um deles para ter algum tipo de rende. Eu não recebo nenhum auxílio governamental, mesmo com a minha história de vida perturbadora", relata.

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   Sobre voltar ao mundo acadêmico, o escritor afirma que não vê valorização dos profissionais formados e que engajados no meio cultural. Segundo Patrick,  um bom exemplo para este caso é o que ocorre na Academia Brasileira de Letras (ABL): políticos ocupam cadeiras que pertenceram a renomados autores, unicamente por cargos exercidos no governo.


Texto: Gilberto Caiteano/ Universidade Feevale e Michele Quadros/ Unisinos

Foto: Gilberto Caiteano/ Universidade Feevale