Oficina de Jornalismo

Uma aula sobre Fotojornalismo

Os estudantes da Oficina de Jornalismo do Correio do Povo tiveram, nesta quinta-feira (11), a oportunidade de conversar com o fotojornalista e editor de fotografia, Ricardo Giusti. Ele, que trabalha há mais de 30 anos na profissão, contou um pouco da sua experiência e deu dicas relevantes sobre a área.

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"Toda matéria vem casada com uma fotografia. Se não render uma boa foto, outra matéria pode ganhar espaço. A gente sempre sai da redação em busca de uma fotografia digna de estar na capa.", iniciou Ricardo. Segundo ele, o fotógrafo que deseja se destacar nesse mercado deve estar pronto para trabalhar em quaisquer assuntos, e em sua equipe é ele que determina quem ilustrará a matéria.

A equipe do Correio do Povo atualmente conta com seis fotógrafos que trabalham das 7h30min à 01h cobrindo todas as editorias do jornal. Uma das exigências para ser fotógrafo do jornal é a graduação em Jornalismo. Para ele, é essencial a valorização do diploma, pois assim o profissional adquire conhecimento em variadas áreas e compreende o contexto do jornalismo. "O fotojornalista não é um simples apertador de botão, embora muita gente ainda ache isso. Além de saber as técnicas da fotografia, devemos estar sempre informado sobre as notícias do dia, estar por dentro de tudo", explica Ricardo.

Na rotina de um fotojornalista alguns hábitos são estabelecidos. Ele deve estar sempre informado sobre a pauta que irá cobrir afim de que ele tenha familiaridade com o personagem a ser fotografado e saiba qual lente da câmera se encaixa melhor quanto ao seu alcance. Para casos policiais, por exemplo, onde muitas vezes há uma área isolada e o acesso do fotógrafo ao local é mais restrito, este necessita estar com um equipamento de longo alcance.

Ele também ressaltou a importância de uma boa relação jornalista x fonte, bastante diferente do que era nos anos 70 e 80. Nessa época, o "foca" (iniciante no Jornalismo) tinha como porta de entrada da redação a editoria policial onde ele aprendia a desenvolver a técnica de investigar, ser o primeiro a ser informado, um detetive jornalista. "Tínhamos rádio escuta na mesma frequência que a polícia, chegávamos muitas vezes antes deles no local", recorda Ricardo. A dificuldade hoje se deve em virtude de tudo ter se tornado altamente político e do receio que as fontes tem em informar algo que seu superior não tenha autorizado.

Algumas lentes são extremamente pesadas, o que pode causar danos à coluna do fotojornalista. Ricardo mostrou um exemplo aos estudantes. Ele contou que atualmente o profissional da fotografia sofre muito desse problema, tanto que hoje há um projeto de lei que o beneficia. Segundo informações contidas no site da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 549/15 garante a fotógrafos, operadores de câmeras e trabalhadores assemelhados o pagamento do adicional de insalubridade justamente por esse problema. A autora da proposta é a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

O encontro foi curto, mas muitos ensinamentos foram dados. Ricardo Giusti terminou a conversa respondendo qual matéria mais gostou de fazer: "As minhas preferidas são aquelas que melhoram a vida das pessoas, que denunciam o que está errado e, de alguma forma, são úteis para aquela gente. O jornalismo é gratificante pela quantidade de pautas diferentes que surgem e tudo é um aprendizado.", concluiu Ricardo.

Texto: Matheus Leandro/ ULBRA


Foto: Kizzy Martins/ UniRitter