Alunos e docentes da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs projetaram e estão produzindo ferramentas para a limpeza de casas e estabelecimentos após as enchentes. A partir de um grupo de pesquisa reunido pela professora Léia Bruscato, foi criado um rodo de fabricação digital, cortado de forma automatizada e montado de maneira simples e rápida, sem depender de instrumentos e mão de obra especializados. Uma unidade pode ser montada a cada dois minutos, a um custo de R$ 25 cada. Em um dia de trabalho, é possível produzir 800 rodos.
“Com as peças sendo cortadas automaticamente, não precisaríamos de marcenarias nem de marceneiros para fabricação ou montagem. É algo que conseguiríamos fazer nós mesmos e dentro do nosso expertise”, contou a arquiteta e doutoranda Barbara Lorenzoni sobre a fase de projeto. A intenção foi melhorar a eficiência dos instrumentos, que deveriam ser resistentes. Vários desenhos foram feitos, pensando na facilidade de montagem e na menor quantidade possível de material. Quando o modelo foi concluído, Bárbara fez os primeiros protótipos na garagem do seu prédio até chegar a um desenho final.
Antes de mandar cortar as peças em grande quantidade, foi necessário fazer um teste com o corte automatizado. Como a Ufrgs estava sem luz, o time não conseguiu fazer o teste nos seus laboratórios. Por isso, a prototipagem foi realizada no Tecnopuc e na Unisinos. “Com o protótipo final aprovado, a equipe da faculdade pensou em toda a logística de como fazer essa produção com professores e alunos como mão de obra”, continua a arquiteta. O material necessário foi orçado, o que foi desafiador em função de fábricas e madeireiras estarem alagadas ou desfalcadas.
Um parceiro industrial financiou um primeiro lote de 800 unidades, se responsabilizando pela distribuição dos rodos, junto com um kit de limpeza para a Região Metropolitana. “Está sendo um processo bem legal, está todo mundo (professores, alunos e comunidade) muito engajado e estamos aproveitando e ensinando um pouco de marcenaria para os alunos.”
Segundo o vice-diretor da faculdade, Éverton Amaral, a divulgação se espalhou rapidamente. “Estamos com uma produção em aberto de 2 mil rodos, que devem passar por várias etapas de separação da madeira e corte para depois virem para a nossa unidade da Faculdade de Arquitetura, que estamos definindo com uma sede de montagem”, explica. Tudo é feito em forma de mutirão para acelerar o processo. A ideia é ter um ciclo contínuo de produção. Amaral ressalta que a orientação é para os beneficiados utilizarem o instrumento e repassar para outras comunidades após o uso. Assim, o material pode ser útil para o maior número de pessoas.
Projeto com instruções de montagem foi disponibilizado no site da universidade para todos os interessados em reproduzir a ideia. Para quem tem equipamentos de fabricação digital e quiser fabricar, também é fornecido o arquivo para o corte da chapa de compensado, material que faz parte da composição da ferramenta.
Quem quiser ajudar a iniciativa pode depositar qualquer quantia via Pix: arqsecretaria@ufrgs.br (em nome da diretora Eliane Constantinou).
