A barbárie sempre esteve presente na história da raça humana. É o lado funesto da nossa insaciável e misteriosa racionalidade. A violência desmedida e calculada, proposital ou doentia, infelizmente nos acompanha neste trôpego andar da evolução. Porém, há épocas em que parecemos sofrer algum tipo de surto de crueldade: episódios bizarros surgem em série. Como se fosse uma febre, uma moda macabra, uma sombra triste e pesada a encobrir a visão de tudo o que pode haver - e há, sempre há, como há! - de belo e bom ao nosso redor.Fica difícil compreender o que leva um homem a violentar sexualmente uma criança e ocultar seu corpo no sofá da casa. Às vésperas do aniversário de seis anos da pobre menina. Se ele tem este tipo de transtorno, ou loucura, que leva a uma brutalidade dessas, ninguém havia percebido? Será que nunca deu algum sinal de sua mente doentia? Pode haver mais sujeira sob esse tapete. Quando uma criança é a vítima, sempre fica mais duro de encarar o fato. E o sujeito que matou sua melhor amiga a marteladas, depois a esquartejou e tranquilamente pegou um ônibus de Santa Catarina para Porto Alegre, carregando duas malas. A bagagem? Os braços e pernas da mulher.
E na lembrança dos últimos dias, passaremos pelos dois policiais baleados na zona sul da capital gaúcha, pela chacina na Restinga (mas a Restinga não merece rótulos de violência, noutra coluna vou explicar o porquê), o homem morto ao lado do pai com diversos disparos de arma de fogo e muitos outros crimes, aqui, ali, acolá. Agora, o caso do jovem Jonas, executado por um assaltante dentro do ônibus que, na noite de segunda-feira, levava passageiros de Porto Alegre a Viamão, não deve em nada em termos de crueldade. Jonas tinha problemas auditivos. E pelo fato de não ter entendido o que estava acontecendo, não ter ouvido o anúncio do assalto, ele apenas se assustou. Frio, um assaltante deu a ordem para que outro o assassinasse. Uma execução brutal. Triste. Ele não reagiu, como se chegou a alegar.
Aliás, um grande desserviço este, repetir a todo instante na mídia isso de "não reaja, nunca reaja". É o mesmo que dizer "caro bandido, o senhor tem permissão para fazer o que quiser com as pessoas e, se alguém reagir, pode matar, pois ele está errado, não foi isso que ensinamos". Dá pra falar outra coisa? Dá para usar o mesmo tempo de fala e pedir para as pessoas terem calma, terem mais amor uns pelos outros, serem menos consumistas? Dá para usar o espaço e falar em educação? Enfim. Que passe esse surto de brutalidades e venham dias menos insanos.
